Sem acordo, greve na Volks completa 19 dias no PR

Ato pode se transformar na paralisação mais longa da montadora alemã no Paraná, onde se instalou em janeiro de 1999

Evandro Fadel, da Agência Estado,

23 de maio de 2011 | 16h47

A greve dos metalúrgicos da fábrica da Volkswagen em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, completa nesta segunda-feira 19 dias e pode se transformar na paralisação mais longa da montadora alemã no Paraná, onde se instalou em janeiro de 1999. Em setembro de 2009, os metalúrgicos ficaram parados durante 21 dias, em reivindicação por reajuste salarial. Desta vez, eles pedem R$ 12 mil de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), dos quais a metade a ser paga ainda este mês.

Em assembleia realizada na tarde desta segunda-feira, os trabalhadores decidiram manter a paralisação, em razão de a Volkswagen não ter alterado o posicionamento inicial, oferecendo R$ 4,6 mil na primeira parcela da PLR e se propondo a discutir os valores da segunda parcela até o fim do ano. Nova assembleia foi marcada para quarta-feira (dia 25). A empresa entrou com pedido de dissídio no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). O assunto não foi discutido na reunião da sessão especializada realizada nesta segunda, em razão de o processo não estar concluído. A próxima reunião ordinária será no dia 6 de junho.

Na tentativa de buscar apoio dos políticos paranaenses para as reivindicações, o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba entregou hoje o que chamou de "dossiê" ao governo do Estado e aos deputados estaduais. De acordo com o sindicato, a montadora no Paraná recebeu R$ 2 bilhões em incentivos fiscais e tem o dobro de produtividade, "mas pratica salários 50% menores em comparação ao que se paga em São Paulo". A entidade também reclama que cerca de 20% dos trabalhadores estão afastados por doenças ocupacionais.

Segundo o sindicato, a empresa deixou de produzir 10.530 veículos Golf, Fox, CrossFox e Fox Europa. Isso daria um prejuízo de R$ 421,2 milhões. Ainda segundo o sindicato, com 1,03% desse valor (R$ 4,34 milhões) seria possível pagar R$ 1,4 mil para cada um dos 3,1 mil metalúrgicos, referente à diferença entre a PLR e o valor oferecido pela empresa. O sindicato decidiu criar um fundo de greve para ajudar os trabalhadores. A assessoria da Volkswagen disse que ainda estava reunindo as informações para uma possível manifestação.

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