'Sem as reformas necessárias, o Brasil vai ter um futuro sombrio’

'Sem as reformas necessárias, o Brasil vai ter um futuro sombrio’

Presidente da Mercedes-Benz vê sinais de melhora no mercado e acredita que o setor ainda tem chances de repetir os volumes do ano passado

Entrevista com

Philipp Schiemer

Cleide Silva, O Estado de S. Paulo

04 Setembro 2017 | 05h00

O mercado de caminhões e ônibus acumula no ano queda de 9,5% nas vendas, numa trajetória que destoa do segmento de automóveis e comerciais leves, que cresceu 5,8% de janeiro a agosto na comparação com igual período do ano passado. Até agora, o segmento de pesados soma 40,5 mil unidades vendidas. No mês passado, houve melhora de quase 10% nas vendas de caminhões ante agosto de 2016 (com 4.819 unidades) e de 30% nas de ônibus (1.844 unidades). Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz, maior fabricante de veículos pesados no País, vê sinais de melhora no mercado e acredita que o setor ainda tem chances de repetir os volumes do ano passado, de 61,7 mil veículos vendidos. Uma recuperação mais consistente, que leve as vendas a níveis do pré-crise, quando 164,8 mil caminhões e ônibus foram vendidos em 2014, deve demorar. “Vai depender da aprovação das reformas”, diz.

Como o sr. avalia o mercado de caminhões e ônibus até agora?

Ainda está abaixo dos volumes de 2016, mas tem mostrado sinais de melhora. Daqui para frente começaremos a ver crescimento na comparação anual, mas não haverá tempo para recuperarmos as perdas dos primeiros meses do ano. Se tudo correr bem, é possível que fechemos o ano com volumes de venda iguais aos do ano passado ou com uma leve queda.

Qual sua expectativa para 2018?

É de melhora no mercado de veículos pesados, ainda não revolucionária, ou seja, pequena.

Para quando é esperada uma recuperação mais consistente?

Vai depender da aprovação das reformas econômicas. O maior problema do Brasil é a situação fiscal. Sem resolver isso, a falta de confiança dos investidores vai continuar e será difícil termos crescimento sustentável.

Na situação atual, o sr. acredita que as reformas serão aprovadas neste ano?

Só posso torcer para que sejam. Cada político do Congresso, quando estiver sozinho, deveria perguntar a si mesmo se quer criar um Brasil para o futuro ou destruir o Brasil. Sem a reforma da Previdência, sem a simplificação tributária e pelo menos um início de reforma política o Brasil vai ter um futuro sombrio. Se as reformas forem aprovadas, há boas chances de o País ter um crescimento mais sustentável.

Isso passa pela manutenção do presidente Temer no cargo?

É irrelevante se Temer fica ou não. É preciso pensar no País e não na pessoa. O importante é que sem equilíbrio fiscal o Brasil não vai para frente.

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