Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Sem Avianca, oferta de voos no País cai ao menor nível em nove anos

Impacto da paralisação da companhia foi menor para viagens internacionais, segundo dados da Abear

Luciana Collet, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2019 | 18h49

A paralisação das atividades da Avianca resultou em uma retração de 9,2% na oferta de transporte aéreo doméstico em junho, na comparação com igual etapa do ano passado e atingiu o nível mais baixo desde junho de 2010, segundo dados divulgados nesta sexta-feira, 26, pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).

A entidade destaca que a progressiva redução da presença da Avianca, que chegou a deter 14% do mercado doméstico no passado, vinha sendo sentida desde abril, interrompendo o ciclo de expansão continuada de 21 meses para o indicador.

A demanda por voos também apresentou diminuição em junho, mas em um ritmo menor, de 4,73%, acelerando, porém, em relação a queda de 3,45% observada em maio. O recuo mais forte da oferta em relação ao desaquecimento da demanda propiciou uma melhora no fator de aproveitamento das aeronaves, que aumentou 3,84 pontos porcentuais, chegando a 81,76% de ocupação, no desempenho histórico para um mês de junho.

Apesar das aeronaves mais cheias, o número de passageiros transportados caiu 2,67%. Em junho foram transportados aproximadamente 7 milhões de viajantes domésticos, perda de 191 mil passageiros em relação ao mesmo mês do ano passado.

Com a saída da Avianca do mercado, a Gol apresentou um crescimento de 6,55% em sua demanda de junho, enquanto a Latam anotou um aumento de 3,88%. A MAP apresentou crescimento mais expressivo, de 19,6%. A entidade não informa dados da Azul, que não mais é associada da Abear, mas a linha de "outras empresas" mostra um crescimento de 28,65%.

Com isso, a participação de mercado da Gol no transporte doméstico brasileiro alcançou 40%, enquanto a Latam alcançou 34,12%.

Semestre

No acumulado de janeiro a junho, a oferta doméstica registra retração de 1,43%, enquanto a demanda mostra crescimento de 1,09%. O fator de aproveitamento aumentou 2,05 pontos porcentuais, para 82,23% de ocupação, enquanto o volume de passageiros transportados em seis meses alcançou 45,5 milhões, alta de 1,54%, ou 691 mil viajantes adicionais.

A Abear diz que, além dos problemas enfrentados pela Avianca, a redução da oferta no primeiro semestre reflete a estagnação econômica e elevação de custos operacionais.

Mercado Internacional

No mercado internacional, dada a menor participação da Avianca no segmento, o impacto da paralisação da companhia foi menor. Na comparação com junho de 2018, a oferta de transporte aéreo internacional entre as aéreas brasileiras registrou redução de 3,97%.

Em termos absolutos, entretanto, a Abear afirma que o volume foi o segundo maior já visto para o mês, ficando abaixo apenas de junho de 2018. Já a demanda apresentou crescimento de 3,23% e atingiu nova máxima histórica para um mês de junho. Com isso, o fator de aproveitamento teve um salto de 6 pontos porcentuais para 86,01%, no melhor nível já visto no mês. O número de passageiros em voos internacionais em junho também atingiu novo recorde, de 686 mil, 4,56% superior em relação ao ano passado.

No acumulado do primeiro semestre, a oferta internacional tem expansão de 5,97%, ante alta de 7,23% da demanda reforçada. O fator de aproveitamento tem melhoria de 0,99 ponto porcentual, para 83,59%. O total de passageiros transportados chegou a 4,6 milhões, alta de 3,08%, ou 139 mil viagens.

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