Sem capitalização da Petrobrás, redução de investimentos é inevitável

Segundo gerente de RI, petrolífera pode alterar investimentos dos anos seguintes, principalmente de projetos ainda não iniciados

Kelly Lima, da Agência Estado,

26 de março de 2010 | 12h45

O gerente de Relações com Investidores da Petrobrás, Alexandre Quintão, destacou nesta sexta-feira, 26, que, para cumprir seu plano de negócios de até US$ 220 bilhões até 2014, a estatal conta com a capitalização, senão será obrigada a reduzir investimentos. "Por que a capitalização com a cessão onerosa é importante? Porque ela melhora a minha alavancagem em duas pontas. Primeiro, aumentando minha disponibilidade de caixa e, segundo, aumentando meu patrimônio líquido. E o cálculo da alavancagem financeira é em cima do patrimônio líquido. Quando tenho aumento dos dois (caixa e patrimônio) eu melhoro meu índice de alavancagem", destacou.

 

Quintão também confirmou que, caso a capitalização não ocorra, o corte de gastos é inevitável. "Teremos que reduzir investimentos", afirmou. Segundo o gerente, a Petrobrás poderia alterar os investimentos dos anos seguintes, principalmente de projetos ainda não iniciados. "A maior dificuldade seria mexer nos investimentos deste ano, já que há muitos projetos começados com recursos comprometidos", disse.

 

A opção de recorrer ao lançamento de bônus não está sendo avaliada, segundo Quintão, porque isso elevaria o endividamento da companhia. "A Petrobras levou muito tempo para conquistar seu investment grade e não vai perder agora de jeito nenhum. E por isso a gente tem que manter a alavancagem dentro de um limite aceitável pelas agências de rating. Uma das variáveis nesse processo vai ser a geração de caixa. Tenho minhas projeções, mais só vou saber isso mês a mês", disse.

 

A companhia fechou o ano com uma alavancagem de 31%. Essa alavancagem tem que ficar em até 35% para ser considerada numa condição adequada. "Isso não quer dizer que, se fecharmos um trimestre com 36%, perderíamos o investment grade. Se sinalizarmos a entrada de capital na sequência, nos meses seguintes, isso é considerado", comentou.

 

O gerente destacou ainda que, para este ano, apesar do aumento de 25% do volume de investimentos previstos, de R$ 70 bilhões em 2009 para R$ 88,5 em 2010, há recursos. "Nós ainda não sabemos o caixa gerado no primeiro trimestre, que pode ter sido superior ao que prevíamos e não precisemos de uma captação no segundo trimestre, talvez de repente para o terceiro. Também sacamos apenas duas parcelas do financiamento junto à China, de US$ 2 bilhões cada, e fizemos poucas retiradas do financiamento de US$ 2 bilhões do Exim Bank americano", lembrou.

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