Sem o controle da Usiminas, CSN pode ter perda

Entrada da Ternium no capital da Usiminas não deve mudar bloco de controle, o que significa que não haverá ‘tag along’ aos minoritários

Fernanda Guimarães, de O Estado de S. Paulo,

28 de novembro de 2011 | 23h00

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), de Benjamin Steinbruch, deverá pensar estrategicamente para reverter uma iminente perda financeira, após ter ficado de fora do bloco de controle da Usiminas. Depois de ser agressiva na compra das ações da siderúrgica mineira em bolsa, até acumular 20,14% das ações preferenciais e 11,66% das ações ordinárias, a CSN pode ver sua estratégia se transformar num considerável rombo em seus cofres.

A CSN atuou por praticamente um ano no mercado, comprando aos poucos as ações da Usiminas. Essa atuação acabou catapultando o valor das ações ordinárias (com direito a voto) da rival, que chegaram a valor o dobro das preferenciais (sem direito a voto), enquanto, historicamente, essa diferença era de apenas 3%. O motivo era que os investidores estavam de olho no benefício do tag along, o que poderia significar ganhos elevados.

O artigo 254 das Lei das S/A prevê que, diante da alienação do controle de uma companhia aberta, o comprador terá de fazer, obrigatoriamente, uma oferta pública de aquisição de ações com direito a voto dos demais acionistas, garantindo um preço mínimo de 80% do valor pago por ação do integrante do bloco de controle. Na prática, isso significa que o acionista que tiver em mãos a ação com direito a voto, em caso de uma mudança de controle da empresa, poderá vender as ações por 80% do valor que foi oferecido ao controlador. Ou seja, se a CSN assumisse o controle da Usiminas, haveria um ganho considerável.

Mas esse cenário se desfez no domingo, com a argentina Ternium comprando a participação da Camargo Corrêa e da Votorantim na Usiminas - um acordo de R$ 5,2 bilhões, que deu à Ternium 27% da siderúrgica mineira. A entrada da Ternium, porém, não deve significar mudança no bloco de controle. A sócia japonesa Nippon Steel e a Caixa dos Empregados da Usiminas (CEU) continuarão no grupo, dentro do bloco de controle e, por isso, a mudança não deverá ser interpretada como "alienação do controle", conforme explicita a lei. "Nossa avaliação é que o grupo de controle continua o mesmo", disse o presidente da Usiminas, Wilson Brumer.

Assim, a CSN pode não conseguir de volta o preço que pagou pelas ações da Usiminas. Como o prêmio entre o preço das ações subiu fortemente desde o início das especulações com a Usiminas, a companhia de Steinbruch acabou pagando mais caro pelos papéis. Apenas ontem, com a percepção de que o tag along não será, de fato, ativado, as ações ON da siderúrgica mineira caíram mais de 3%.

Caixa. Além de sair perdendo com o valor das ações, a CSN também deverá analisar o que fará com o seu forte caixa, que vem sendo engordado ao longo dos últimos anos. No fim do terceiro trimestre, o montante já somava R$ 15,635 bilhões. O objetivo aberto da CSN era usar parte desse caixa para levar as ações detidas pela Camargo Corrêa e Votorantim, o que fez com que a empresa oferecesse R$ 5 bilhões pela fatia de 26% da Usiminas. Essa oferta, no entanto, após não ser bem recebida pela sócia Nippon, não chegou a ser divulgada oficialmente ao mercado.

Outra decisão que a CSN deverá tomar nos próximos meses é se vai manter a participação conquistada em bolsa na siderúrgica mineira. Se for esse o desfecho, a CSN poderá solicitar no próximo ano um assento no conselho de administração da empresa. Segundo a lei das S/A, para se ter direito a um assento no conselho é necessário ter 15% das ações ordinárias ou 10% das preferenciais.

Ontem, Wilson Brumer afirmou que, com a compra da participação na Usiminas pela Ternium, a empresa "vira uma página" de sua história e encerra quase um ano de especulações em torno da companhia, que buscará, agora, impulsionar o seu negócio, que ainda enfrenta um cenário muito ruim para o setor siderúrgico mundial. Procurada, a CSN disse que não comentaria o assunto.

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