Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Sem voo da Itapemirim, passageiros pagam caro por trechos com várias conexões

Transtornos se espalharam pelo País com a decisão da companhia de suspender sua operação, anunciada na noite de sexta-feira, 17; Anac e órgãos de defesa do consumidor já recebiam reclamações sobre a ITA antes da interrupção do serviço

André Borges, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2021 | 13h56

BRASÍLIA – A interrupção dos voos da ITA, companhia aérea do grupo Itapemirim, levou a uma procura desenfreada por voos em outras companhias aéreas, de pessoas que foram surpreendidas na tarde desta sexta-feira, 17, com a notícia de que todos os voos da empresa estavam cancelados às vésperas dos feriados de fim de ano.

Thais Foffano Rocha, engenheira, estava com tudo pronto para embarcar no próximo dia 27, em São Paulo, com destino a Fortaleza, em um voo direto pela ITA. Com mais cinco pessoas, organizou tudo em julho, quando todos compraram as passagens, no valor de R$ 860 por pessoa, para os trechos de ida e volta em 3 de janeiro.

“A gente ficou sem saber o que fazer, porque todo mundo se organizou para o período do recesso, alugamos casa em Fortaleza. Decidimos correr atrás de outra companhia aérea para comprar os voos, mas os preços dispararam”, diz Rocha.

Além dos prejuízos e transtornos, cada um teve que desembolsar mais R$ 2,4 mil pelos trechos de ida e volta. O plano original, que previa um voo direto, se transformou em uma excursão pelos céus do Brasil até chegar ao destino final. Os três casais terão de sair de São Paulo de madrugada, com destino a Brasília, para depois trocar de voo e pegar outro até São Luiz, no Maranhão. Só de lá é que finalmente tomam outra aeronave, rumo a Fortaleza.

“Com isso, a gente também vai perder um dia inteiro viajando, mas não tínhamos outra opção. Como estamos no grupo, vimos que, ou abraçávamos o prejuízo e seguíamos com o plano, ou teríamos de desistir de tudo.”

Casos recorrentes

A Agência Nacional de Aviação (Anac) e os órgão de controle ou proteção do consumidor não podem alegar que já não sabiam dos problemas que a companhia aérea do Grupo Itapemirim vinha causando nos últimos meses.

Marina Monteiro Carneiro Marcassa, publicitária, conta que, em novembro, quando já se sabia de notícias sobre atrasos de pagamentos de funcionários da empresa, teve que esperar por mais de 13 horas para conseguir embarcar em um voo do Rio para São Paulo.

“Nosso voo estava marcado para as 7h da manhã. No dia anterior, tentamos o tempo todo fazer nosso check in, mas não funcionava. Quando chegamos no aeroporto uma hora antes, disseram que o voo tinha sido cancelado, sem nos dar qualquer tipo de aviso prévio”, diz Marcassa.

Ao procurar funcionários da companhia aérea sobre as causas do cancelamento, um dizia que foi preciso fazer manutenção na aeronave, outro informava que que o voo teve que alterar o trajeto previsto. “Depois de horas de indefinição, só fomos embarcar em outro voo às 20h”, afirma a publicitária.

Não seria o único transtorno de Marcassa, que, naquela ocasião, também tinha comprado duas passagens de Fortaleza para o Rio, para o dia 3 de janeiro, por R$ 958 cada, em voo direto. “Acabamos correndo para comprar outro voo. Gastamos mais de R$ 1.300 em cada passagem nova, dessa vez pela Gol. E o voo não é mais direto, teremos escala em Viracopos.”

O clima, em geral, é de revolta e frustração entre os consumidores. Milhares de pessoas acabam não encontrando voo nas datas que pretendiam, ou não têm condições financeiras de adquirir novas passagens.

A companhia aérea tinha 514 voos programados entre a noite desta sexta-feira e o dia 31 de dezembro, segundo o Sistema de Registro de Operações (Siros) da Anac. Cada voo nas aeronaves da empresa tem capacidade para 162 passageiros. Se for considerada a ocupação total desses voos que estavam planejados, são mais de 80 mil passageiros prejudicados.

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