Senador do PT diz que politização do pré-sal atrapalha país

A politização da discussão sobrea melhor forma de explorar o petróleo no pré-sal podeatrapalhar o país e com certeza a nova fronteira petrolíferafará parte da campanha eleitoral desse ano, avaliou o senadorDelcídio Amaral (PT-MS), ex-diretor da Petrobras . "Vejo isso com preocupação (politização). É necessáriomudar a legislação em vigor, mas isso tem que ser bem estudado,analisar alternativas e modelos disponíveis para verificar oque melhor para a realidade brasileira. Precisamos aprofundar oassunto", disse o senador do PT em fórum sobre a Lei do Gás, noRio de Janeiro. Amaral, que também é presidente da Comissão deRegulamentação de Marcos Regulatórios do Senado, disse temerque a discussão política se sobreponha aos interesses do país. "Temos que dar um freio de arrumação porque senão virá umdebate político em detrimento de uma questão fundamental para opaís", acrescentou, lembrando que a instabiliade no marcoregulatório pode afastar investidores do país. Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silvaafirmou que o pré-sal, uma imensa faixa de reservatóriosgigantes de petróleo e gás localizados em águas ultra-profundasda costa brasileira não poderia ficar na mão de "meia dúzia deempresas". Delcídio acredita que por ter sido politizado, o debatesobre o pré-sal estará bastante presente na campanha eleitoraldesse ano em vários municípios do Brasil. "Minha preocupação é politizar o debate do pré-sal de talmaneira que na campanha eleitoral venha à tona.. Claro que issovai fazer parte do debate político", destacou o petista. O senador disse que ainda não está convencido danecessidade de se criar uma nova estatal para cuidarespecificamente da área do pré-sal, nem como deve ser o aumentode arrecadação do governo com o pré-sal. "Acho que precisamos avançar mais antes de tomar posição...não falaria de forma peremptória que é preciso uma novaestatal. Acho que começa mal com o nome Petrosal. Para virarPetrossauro é pá e bola", destacou o parlamentar. O ex- ministro de Minas e Energia Rodolfo Tourinho,presente no mesmo evento, descartou a necessidade de umamudança profunda na lei do petróleo. Segundo ele, para que o governo aumente a sua arrecadaçãocom o petróleo do pré-sal, bastaria elevar a ParticipaçãoEspecial de campos com grande produtividade. "Isso é por decreto e mais rápido, simples para burro"avaliou. Ele acrescentou que sem parceiros, a Petrobras pode não tercapacidade financeira de desenvolver sozinha o pré-sal. "De onde virão os recursos? A Petrobras vai precisar demuito dinheiro", finalizou. Somente o campo de Tupi, único dos sete já perfurados queteve suas reservas divulgadas, entre 5 e 8 bilhões de barris deóleo equivalente, custará 200 bilhões de dólares para serdesenvolvido, segundo disse à Reuters uma fonte da Petrobras. (Reportagem de Rodrigo Viga Gaier; Edição de Denise Luna)

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