S&P mantém rating da Petrobrás mesmo se capitalização for adiada

Pelos critérios de avaliação da agência, a classificação companhia para o longo prazo é BBB- com perspectiva de estabilidade, a mesma classificação que determina o rating soberano do Brasil

Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

20 de agosto de 2010 | 16h50

A agência de classificação de risco Standard And Poor's (S&P) reitera que não pretende rebaixar o rating da Petrobrás ainda que a estatal não consiga implementar neste ano o seu programa de capitalização. Pelos critérios de avaliação da S&P, a classificação da estatal brasileira de petróleo para o longo prazo é BBB- com perspectiva de estabilidade, a mesma classificação que determina o rating soberano do Brasil.

Nos últimos dias, os rumores de que a Petrobrás poderá não conseguir implementar a ampliação do seu plano de investimentos em capital para US$ 224 bilhões no período 2010-2014 ganhou mais força entre os analistas do setor.

Isso ocorreu porque depois de adiar por várias vezes a oferta pública de ações, a estatal finalmente a remarcou para o próximo 30 de setembro, às vésperas do primeiro turno da eleição para presidente. Para os especialistas, o calendário eleitoral se somaria aos demais entraves que podem levar a empresa a adiar a sua capitalização. Segundo a analista da S&P, Milena Zaniboni, isso não provocará impacto nos ratings que a agência atribuiu à estatal de petróleo brasileira. Ela explica que o perfil de crédito individual da Petrobras reflete um perfil de risco de negócio satisfatório e um perfil de risco financeiro intermediário.

Milena disse ainda que a metodologia de classificação de risco da S&P considera muito importante o papel da Petrobrás e muito forte o vínculo da empresa com seu acionista majoritário, no caso a República Federativa do Brasil, o que amplia a probabilidade de o governo soberano dar suporte extraordinário à companhia. "Não estamos desconsiderando o impacto da capitalização ou a deterioração do crédito da Petrobras, mas entendemos que o governo, de uma forma ou de outra, dará o suporte necessário à estatal", diz a analista da S&P.

Em relatório divulgado no último dia 25 de junho, a S&P já havia feito menção a esta eventual dificuldade de a Petrobrás em conseguir se capitalizar. No documento, a agência dizia que: "nossa expectativa tem sido a de que as métricas de crédito da Petrobras se deteriorem, dado o aumento em sua dívida para financiar o agressivo plano de expansão, uma tendência que se reforça ainda mais sob a premissa de investimentos ainda maiores. Estamos monitorando as implicações que a revisão da estratégia da empresa terá sobre sua estrutura de capital e liquidez. No entanto, não prevemos uma ação negativa nos ratings da Petrobrás, considerando-se o suporte extraordinário do governo brasileiro, desde que os ratings do Brasil permaneçam estáveis". 

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