Será um escândalo se bancos ajudaram Grécia a maquiar dados, diz Merkel

Segundo reportagens recentes, bancos teriam encontrado formas para permitir que a Grécia escondesse sua dívida crescente

Marcílio Souza, da Agência Estado,

18 de fevereiro de 2010 | 10h05

A primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, afirmou na quarta-feira, 17, que será um "escândalo" se ficar provado que os bancos ajudaram a Grécia a maquiar suas estatísticas. De acordo com reportagens recentes, os bancos de Wall Street teriam encontrado formas para permitir que a Grécia escondesse sua dívida crescente, possibilitando que o país escapasse da repreensão da União Europeia. Uma transação com o Goldman Sachs teria ajudado a esconder, dos supervisores de orçamento de Bruxelas, bilhões em dívida, segundo o New York Times.

 

"Será um escândalo se for descoberto que os bancos que nos deixaram à beira da crise também foram cúmplices na falsificação de estatísticas da Grécia", disse Merkel. A primeira-ministra alemã aproveitou para pressionar a Grécia a tomar medidas drásticas para reduzir seu déficit orçamentário e disse que concorda com o primeiro-ministro grego, George Papandreou, que "a Grécia tem agora de tomar medidas de poupança difíceis".

 

Merkel, no entanto, defendeu o euro. "Se não tivéssemos essa moeda comum durante a crise econômica e bancária que sofremos nos últimos anos, nós teríamos sofrido turbulências completamente diferentes", disse ela.

 

Especulação

 

A ministra de Finanças da França, Christine Lagarde, por sua vez, teria dito, segundo um congressista, que seis instituições financeiras foram identificadas por terem especulado sobre a dívida da Grécia durante a crise que atingiu o país europeu.

 

Em audiência com a Comissão de Finanças da Assembleia Nacional, que é fechada para a imprensa, Lagarde disse aos congressistas franceses que as seis instituições eram anglo-saxãs, palavra que os políticos franceses e a mídia usam para designar companhias dos EUA e do Reino Unido.

 

Lagarde também afirmou que o governo francês é favor de dar ao Fundo Monetário Internacional uma papel consultivo para a resolução da crise da Grécia, mas que sua ajuda não seria necessária. As informações são da Dow Jones.

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