Setor agropecuário argentino inicia paralisação comercial

Os produtores rurais argentinos iniciaram na sexta-feira uma paralisação comercial que se estenderá por oito dias, em protesto contra a política do governo para o setor, reavivando uma disputa decorrente da intervenção estatal nos mercados de alimentos.

NICOLÁS MISCULIN, REUTERS

28 de agosto de 2009 | 11h04

A decisão de suspender os negócios agropecuários, incluindo grãos e gado, surgiu depois que a presidente Cristina Fernández de Kirchner vetou um benefício fiscal para os produtores afetados pela seca que aflige o país, um dos maiores exportadores mundiais de alimentos.

"Estamos dispostos a fazer o que for preciso para modificar essa política agropecuária", afirmou no início do protesto Eduardo Buzzi, presidente da Federação Agrária Argentina, uma das quatro entidades rurais envolvidas.

"Além disso, o que iniciamos esta noite é muito mais que um protesto, é um grito contra o desprezo ao interior (do país)", completou ele

O mercado de gado de Liniers, em Buenos Aires, registrava atividade na sexta-feira já que o transporte dos animais foi realizado antes da meia-noite --quando a paralisação foi iniciada--, mas os operadores previam que os negócios seriam mínimos na principal bolsa de grãos do país, em Rosário.

O protesto, que será finalizado à meia-noite da próxima sexta-feira, reedita uma forte disputa iniciada no ano passado devido ao imposto sobre a exportação de grãos, que abateu o poder da presidente e afetou o ritmo da economia.

Em 2008, as paralisações comerciais, as manifestações e o bloqueio de estradas resultaram em uma crise no governo, que teve que retroceder na intenção de elevar o imposto sobre a soja, a principal safra do país.

(Por Nicolás Misculin e Walter Bianchi)

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