Setor de trigo do Brasil tem gasto extra de milhões em logística

Tradings e moinhos de trigo do Brasilestão tendo um gasto extraordinário de milhões de dólares emoperações logísticas neste início de ano, para acomodar ocereal que a Argentina obrigou os brasileiros a importarem emum período curto de 90 dias, antes de fechar as exportaçõesnovamente, disseram fontes do setor. Em meados de dezembro, quando começaram os embarques dasafra nova argentina, empresas brasileiras que compraramaproximadamente 3 milhões de toneladas começaram a trazer oproduto para cumprir o prazo de embarque estipulado pelogoverno da Argentina, fornecedor preferencial do Brasil. Em janeiro, 857 mil toneladas de trigo foram desembarcadasno Brasil, sendo mais de 90 por cento da Argentina, contra 642mil no mesmo mês do ano passado, segundo o governo. Com a chegada de volumes recordes nesse período, osestoques dos moinhos do país que já estavam relativamenteabastecidos ficaram todos lotados. Considerando que o consumonacional é de 800 mil toneladas por mês, muitas empresastiveram de alugar silos em cooperativas, armazéns públicos e emportos para guardar as importações adicionais, além de gastaremmais com operações de transporte. "Não sei quanto trigo adicional que veio para o Brasilacima da necessidade, mas eu sei de uma coisa, todos os moinhosque têm condições estão com os silos entupidos de trigo. Estimoque no mínimo foi necessário espaço adicional para 300 mil a400 mil toneladas", afirmou o presidente do Moinho Pacífico,Lawrence Pih, em entrevista por telefone. Uma outra fonte do setor, responsável por compras em um dosmaiores grupos moageiros do país, acredita que o Brasilprecisou achar espaço nos armazéns para um volume adicionalainda maior, de 500 mil toneladas. "A capacidade de armazenagem dos moinhos é pequena, paratrazer todo esse volume recorde não foi fácil, foi um exercíciofantástico de todo o setor, daquelas empresas que tinham caixapara fazer isso", disse a fonte, que pediu para não seridentificada. A "ginástica" para guardar o produto, num país comhistórico déficit de armazenagem, gerou, segundo osentrevistados, um gasto atípico de ao menos 10 milhões dedólares. "Acho que o custo adicional pode chegar tranquilamente a 20dólares por tonelada, entre transportar o trigo, a limpeza dosilo, aluguel do silo, mão-de-obra", disse Pih, observando queesse valor foi gasto pelas empresas que tiveram, por exemplo,de tirar o trigo do porto de Santos e levá-lo para um silo emSão Paulo. É certo que os moinhos preferiram ter essa despesaadicional com logística do que comprar o trigo nos EstadosUnidos, 100 dólares por tonelada mais caro, sem prazo paradesembarque. "Lógico que gastamos entre 20 e 40 dólares paraeconomizar 100, do trigo do hemisfério norte. Agora, precisavaisso? Acho que não", comentou a segunda fonte. APERTO MAIOR Para alguns a situação foi pior. Alguns moinhos doNordeste, onde as empresas praticamente só contam com osarmazéns próprios, chegaram a trazer o trigo para o Rio Grandedo Sul, armazená-lo no porto gaúcho, porque tinham prazo paracarregar o produto na Argentina, e depois terão de gastar maiscom um segundo frete marítimo. As fontes também chamam a atenção que o trigo está tomandoespaço de outras mercadorias nos portos, aumentando osprejuízos. Apenas uma trading internacional relatou à Reutersgastos adicionais de 2 milhões de dólares para guardar 100 miltoneladas em um segundo silo. Os custos devem aumentar à medida que a safra de verão noBrasil começa a ser colhida, porque as cooperativas que estavamguardando o trigo importado deverão cobrar mais para armazenaro produto, ou mesmo vão exigir que os moinhos retirem o grão,para que a soja e o milho colhidos sejam acomodados. Com o início da safra, também deve subir o frete rodoviáriopara levar o trigo do armazém até o moinho.

ROBERTO SAMORA, REUTERS

22 de fevereiro de 2008 | 17h52

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