Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Setor é saída para este momento de transição, diz Kassab

Para ministro das Cidades, com ajustes atuais, é preciso criar condições para que o segmento imobiliário continue investindo

Mario Braga e Aline Bronzati , O Estado de S. Paulo

17 de abril de 2015 | 05h00

Os brasileiros precisam de um momento de transição para enfrentar momentos difíceis e para que os efeitos do ajuste fiscal sejam atenuados, avalia Gilberto Kassab, ministro das Cidades. O Brasil está atrás do ajuste econômico. Sem ajustar a economia, não vamos atingir nossos objetivos. Não há país que possa suportar por muito tempo a ausência de crescimento econômico porque gera transtornos, principalmente no campo social, muito expressivos”, disse ele, na abertura do Summit Imobiliário Brasil 2015. 

Segundo Kassab, o mercado imobiliário é a melhor saída para o momento de transição que o País está vivendo. Portanto, é necessário, conforme ele, criar condições para que o segmento continue investindo, talvez, não no mesmo nível dos anos anteriores, mas de modo que seja mantido o nível de emprego na construção civil. Entre janeiro e fevereiro, o setor já acumula um saldo negativo de 42 mil empregos, segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP). A expectativa da entidade é de corte de mais 300 mil postos até o fim do ano.

O ministro foi o primeiro a falar no evento, que teve a presença dos líderes do setor imobiliário e que foi aberto por Francisco Mesquita Neto, diretor presidente do Grupo Estado. Mesquita destacou as dificuldades atuais da economia do País em geral e, especificamente, do mercado imobiliário. “Na condição de parceiros de primeira hora do mercado imobiliário, estamos prontos a oferecer nossa contribuição na luta por uma retomada tão pronta quanto possível, convencidos de que os problemas do momento podem ser superados pelos caminhos da criatividade, da união, do esforço e da confiança no futuro do País.”


Transição. Kassab ressaltou em sua apresentação a importância de manter os investimentos. “Precisamos ter um volume mínimo de investimento nessa fase de transição do ajuste fiscal e criar condições de financiamentos. Há disponibilidade de recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) que podem ser investidos em saneamento, habitação”, destacou Kassab, citando os investimentos bilionários do setor de construção em diversos programas governamentais no Brasil. Para o ministro, o mais “expressivo” deles é o Minha Casa, Minha Vida, que deve contribuir para gerar um grande número de empregos no setor ou, pelo menos, manter os existentes. A expectativa, segundo ele, é que o programa chegue em 2018 com 6,7 milhões de moradias contratadas e mais de 25 milhões de pessoas beneficiadas em todo o Brasil. A terceira fase prevê a contratação de mais três milhões de unidades habitacionais. Nas duas primeiras fases, disse, o governo contratou mais de 3,5 milhões de moradias.

Kassab ressaltou que o ajuste econômico é fundamental para a retomada do crescimento do País “com lastro” e em “condições adequadas” e que o comando é da equipe econômica. 

Orçamento. Kassab afirmou que o ajuste fiscal não deve representar cortes no orçamento da Pasta em 2015. Segundo ele, não se falará na suspensão de grandes investimentos como o metrô da capital paulista, obras de saneamento e investimentos com prazos de até oito anos em outras cidades, exemplificou. “Não tem sentido, em um ajuste, que se espera que seja o mais breve possível, você cortar investimentos de quatro, cinco, seis... dez anos”, ponderou, reconhecendo poder haver adaptação dos cronogramas à nova realidade orçamentária do governo federal.

Mais conteúdo sobre:
Summit Imobiliário Brasil 2015

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.