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Setor financeiro dos EUA vê risco de rebaixamento de rating

Para bancos e empresas, mesmo que o governo consiga fechar um acordo para elevar o limite da dívida, país corre um risco alto de ter sua nota rebaixada

Clarissa Mangueira, da Agência Estado ,

27 de julho de 2011 | 15h12

Bancos e empresas do setor financeiro alertaram que o rating da dívida dos Estados Unidos poderá ser rebaixado, mesmo que o governo consiga fechar um acordo para elevar o limite da dívida, que atualmente é de US$ 14,3 trilhões.

O estrategista-chefe de ações da administradora de recursos BlackRock, Bob Doll, disse que o governo norte-americano deverá alcançar um acordo para elevar o limite da dívida e evitar um default, mas ainda corre o risco de ter o rating AAA de sua dívida rebaixado.

Numa entrevista ao jornal financeiro alemão Handelsblatt, Doll alertou que os EUA irão provavelmente adiar uma solução real e de longo prazo para seus problemas de dívida. "Não haverá um default, mas o risco de um rebaixamento do rating AAA dos EUA para AA continua", destacou o economista.

Doll ressaltou, no entanto, que o rebaixamento do rating, não conduzirá, necessariamente, à uma liquidação pesada dos Treasuries norte-americanos. "A atitude da grande maioria dos clientes é: Nós sabemos há muito tempo que os Treasuries deveriam realmente ser classificados em AA. Por que nós deveríamos vendê-los?", contou o economista.

Para Teppei Ino, analista sênior do Bank of Tokyo-Mitsubishi UFJ, "o rebaixamento do rating da dívida dos EUA por uma agência de classificação pode ser inevitável", visto que a Casa Branca e os Democratas precisarão firmar um compromisso com o Partido Republicano, cujo alguns membros se opõem inflexivelmente a qualquer aumento de impostos. Segundo o analista, será difícil mater o rating AAA sem um aumento da receita.

O Crédit Agricole ecoou o sentimento, afirmando que os riscos de um rebaixamento da dívida pelas agências de classificação de risco parecem muito altos "tendo em vista as atuais propostas sobre a mesa de negociação e a falta de apoio bipartidário para lidar com as questões do déficit de uma maneira crível e oportuna".

Segundo o banco, no evento de um rebaixamento, os mercados acionários podem despencar, o dólar poderá ficar sob mais pressão de queda, enquanto os preços do ouro subirão. No entanto, a elevada incerteza gerada por tal cenário sem precedentes poderá provocar uma fuga para segurança que, por mais que possa parecer contra-intuitiva à primeira vista, poderá empurrar os yields dos Treasuries para baixo.

O Crédito Agricole também destacou que o choque para a economia norte-americana, num cenário de rebaixamento, poderá reduzir o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no próximo trimestre para próximo de zero, embora a expansão no quarto trimestre deva mostrar alguma recuperação depois de uma possível resolução para o impasse do orçamento.

"No longo prazo, os altos custos para a tomada de empréstimo tornará muito mais difícil reduzir os níveis da dívida e dos déficits", ressaltou o banco. As informações são da Dow Jones.

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