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Guy Perelmuter
O Futuro dos Negócios
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Seu pedido é uma ordem

É possível que, no futuro, o único ser humano envolvido nas suas compras pela internet - do clique até o recebimento do produto - seja você

*Guy Perelmuter, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2018 | 05h14

Relatório publicado pela OMC (Organização Mundial do Comércio, ou World Trade Organization) indicou que as exportações de mercadorias de seus 164 países membros movimentaram mais de US$ 16 trilhões em 2015, e as exportações de serviços superaram US$ 4,5 trilhões no mesmo ano. Bens de consumo são produzidos, embalados, distribuídos, comercializados e entregues a uma velocidade sem precedentes - e esta cadeia de suprimentos praticamente invisível sobre a qual não costumamos pensar está passando por um período de transformações importantes em função de diversas tecnologias que já discutimos neste espaço.

Em uma pesquisa com novecentos executivos da área de manufatura e de suprimentos realizada pela MHI (uma associação internacional da indústria de materiais, logística e cadeia de suprimentos) e pela multinacional Deloitte (baseada no Reino Unido) divulgada em abril de 2017, 80% dos entrevistados - ou quatro em cada cinco - responderam que até 2022 a cadeia de suprimentos digital será o modelo que irá dominar o mercado. Dos 20% restantes, 16% afirmaram que esta já é a realidade que estamos vivendo, e as três tecnologias que se destacaram como vetores de vantagem competitiva foram robótica e automação, análise preditiva e Internet das Coisas (ou IoT, Internet of Things).

De fato, diversas etapas da cadeia de suprimentos são altamente passíveis de automação e é possível imaginar que em um futuro não muito distante - talvez em duas ou três décadas - o único ser humano envolvido em uma transação de comércio eletrônico (ou a impressão 3D do artigo desejado) seja a pessoa que realizou o pedido. Todas as outras etapas, da produção até a entrega final, estariam sob a responsabilidade de máquinas.

O consumidor moderno já se acostumou com a comodidade de realizar suas compras pela Internet - inicialmente, eram livros (que ainda coexistem com suas contrapartes digitais) ou CDs (que seguem em declínio graças aos serviços de streaming e de download de músicas), mas em alguns anos já tornou-se possível comprar praticamente qualquer coisa sem sair de casa. Comida, roupas, brinquedos, material escolar, eletroeletrônicos, carros ou imóveis: basta estar conectado. Esta mudança no comportamento do consumidor fez com que toda estrutura de distribuição e logística fosse repensada: de qualquer parte do mundo pode chegar um pedido, a qualquer instante, para adquirir um item específico dentre centenas de milhões de opções disponíveis. Estima-se que a Amazon, líder global de comércio eletrônico, disponibiliza algo entre quatrocentos e quinhentos milhões de itens distintos em seu site.

Uma das importantes vantagens competitivas que a Amazon possui está relacionada aos seus centros de distribuição, espalhados pelos Estados Unidos, Canadá, México, Brasil, Reino Unido, França, Alemanha, China e Japão, entre outros. Isso permite que grande parte dos produtos cheguem aos seus clientes em dois dias ou menos. Estes centros foram construídos integrando robôs e computadores a todas as etapas do processo, otimizando aspectos como tamanho da embalagem, origem do envio e rota para entrega - 185 países são servidos, gerando em 2016 uma receita de US$ 136 bilhões para a empresa. A companhia possui uma das dez marcas mais valiosas do mundo, estimada em US$ 165 bilhões pelo ranking BrandZ 2018, publicado pela consultoria britânica Kantar Millward Brown - atrás apenas da Google e da Apple. Neste ranking, as cinco marcas mais valiosas do mundo pertencem a empresas de tecnologia, totalizando um valor superior a um trilhão de dólares.

A transformação das cadeias de suprimento globais em curso atualmente passam pelo transporte dos bens, seu armazenamento, preparação, embalagem, despacho e entrega final. Como robôs, drones, computadores e algoritmos inteligentes estão atuando em cada uma destas etapas será nosso tema para semana que vem. Até lá.

*Fundador da GRIDS Capital, é Engenheiro de Computação e Mestre em Inteligência Artificial

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