Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Associação de shoppings eleva previsão de alta nas vendas para este ano para 17,3%

As vendas dos lojistas no primeiro trimestre de 2022 aumentaram 34,8% em relação ao mesmo período de 2021. acima das expectativas

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2022 | 17h12

A Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce) elevou hoje a sua projeção de vendas de 13,8% para 17,3% no acumulado de 2022 em relação a 2021. O dado é nominal. Ao se descontar a inflação, a perspectiva é de um crescimento real de 9,2% neste ano.

A revisão nas expectativas se deve a um resultado melhor que o esperado no começo do ano. As vendas dos lojistas no primeiro trimestre de 2022 aumentaram 34,8% em relação ao mesmo período de 2021. Em termos reais, o avanço foi de 22,2%.

Em um ano, os espaços vagos nos shoppings caíram de 7% para 6%, segundo a Abrasce. No mesmo período, a inadimplência dos lojistas baixou de 20% para 8,5%, segundo a Abrasce.

"Estamos com uma análise otimista, mas com muita cautela", afirmou o presidente da Abrasce, Glauco Humai, em entrevista ao Estadão/Broadcast.

"Os shoppings tiveram crescimento nas vendas mesmo se descontada a inflação, que foi alta. Esse foi um resultado bom e muito animador", destacou. "O setor foi muito impulsionado pelo retorno das pessoas aos shoppings. Mas o ambiente macroeconômico ainda está muito deteriorado, com problemas nas áreas econômica, política e social", disse.

Humai observou que as vendas subiram nos primeiros meses do ano principalmente devido à volta dos consumidores, que estão mais confiantes com o avanço da vacinação e a liberação do uso de máscaras. Entretanto, a melhora na performance também se deu por conta de uma base de comparação mais fraca. Isso porque houve uma nova onda de covid em março do ano passado, que restringiu a circulação das pessoas naquele momento.

O fluxo de visitantes nos shoppings subiu em janeiro (22,3%), fevereiro (24,2%) e março (153%) - dados na comparação com os mesmos meses do ano passado.

Para frente, o presidente da Abrasce estimou uma diminuição gradual na vacância dos shoppings, chegando a 5,5% no fim do ano. A inadimplência dos lojistas também deve baixar, com varejistas fortalecidos pelo aumento nas vendas até aqui.

 "As negociações continuam acontecendo. Os descontos estão sendo gradualmente reduzidos. As vendas no Dia das Mães (crescimento de 28,6% ante o mesmo período de 2021) foram muito positivas e deram mais confiança, citou. Ele também tem notado uma boa demanda de varejistas por espaços nos shoppings.

Aberturas

Para este ano estão previstas um total de 12 inaugurações. Uma já aconteceu (Pato Branco Shopping, no Paraná) e outras 11 estão por vir. Ano passado, foram apenas cinco. Os últimos empreendimentos abertos mostraram ocupação na faixa de 80% a 85%, um patamar considerado saudável e dentro da média histórica, segundo Humai.

Por outro lado, Humai ponderou que vê os níveis de consumo seguirão pressionados por inflação, juros e desemprego em níveis ainda elevados. Há também incertezas sobre os rumos do País por conta das eleições presidenciais.

Exemplo disso é que o tíquete médio das vendas no primeiro trimestre de 2022 foi 7,6% menor do que no mesmo período de 2021. "As pessoas perderam poder de consumo por causa da inflação e tiveram que reajustar o seu perfil de gastos", avaliou.

Diante de todos esses fatores, a tendência é de uma desaceleração no crescimento do fluxo de visitantes nos shoppings no segundo semestre, segundo Humai. As vendas no segundo semestre costumam representar cerca de 60% das vendas totais de cada ano, mas em 2022 devem ter peso de 50%. "Esse ano deve ser mais equilibrado".

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