Siderurgia brasileira vai continuar a crescer em 2008

A produção e o consumo de aço noBrasil vão continuar crescendo em 2008, depois de um ano derecordes puxados pelo crescimento econômico brasileiro. Mas opaís ainda engatinha na comparação com outros emdesenvolvimento, afirmou o presidente do Instituto Brasileirode Siderurgia (IBS) e da Usiminas, Rinaldo Soares. Enquanto amadurecem os projetos de expansão que devemacrescentar 22 milhões de toneladas de aço à produção até 2012,o setor trabalha com o "cobertor curto", e para atender aomercado interno precisa reduzir exportações, como ocorreu em2007. "Todos estão trabalhando na capacidade máxima, este ano foium ano excepcional e (a produção) está crescendo mais", disseSoares, que admite alta no preço do aço em 2008. O ajuste,acrescentou ele, vai depender dos preços de insumos comominério de ferro, carvão, além do frete. "O preço este ano já foi melhor do que do ano passado e vaisubir ano que vem, sem dúvida vai haver correção, mas vai serem função do mercado internacional", disse o executivo que nãoquis arriscar um patamar de ajuste para o minério de ferro,cujas negociações já foram iniciadas, e para o qual está sendoestimada alta entre 30 e 50 por cento. Segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo IBS, em2007 o Brasil produziu o volume recorde de 33,9 milhões detoneladas de aço, crescimento de 9,9 por cento em relação aoano passado, e deve pular para 37,6 milhões de toneladas em2008, elevação de 10,8 por cento contra o ano anterior. Já as exportações caíram 15,6 por cento este ano, para 10,5milhões de toneladas, com destaque para a venda externa de açosplanos, 26,6 por cento menor do que há um ano. Por outro lado,a venda no mercado interno, que se traduz em maior lucro paraas empresas, cresceu 18 por cento na mesma comparação, para20,6 milhões de toneladas. A construção civil e a indústria automobilística estãosendo as principais locomotivas do setor, seguidas pelo setorde petróleo e gás, máquinas industriais e agrícolas. Soares lembrou que apenas a China vai exportar este anocerca de 60 milhões de toneladas, "ou quase dois brasis, o quemostra que a nossa siderúrgica ainda é bem tímida". Ele informou, no entanto, que se todos os projetossiderúrgicos em andamento forem concretizados, a estimativa doIBS é de que a produção suba para 59 milhões de toneladas em2012, ou para 78 milhões de toneladas se forem incluídos osprojetos apenas anunciados e não em andamento. Segundo Soares, a entrada em operação de novos projetos nofinal de 2007, como a expansão da ArcelorMittal Tubarão e daGerdau Açominas, elevou em 4 milhões de toneladas a capacidadeinstalada de produção, para 41 milhões de toneladas. Ele lembrou que a produção siderúrgica caminha cada vezmais para os países emergentes, devido à disponibilidade derecursos naturais, e que por isso projetos como daThyssenKrupp, no Rio de Janeiro; da Arcelor Mittal, no EspíritoSanto; e da Dongkuk e Danieli, no Ceará, todos em parceria coma Vale, podem abrir caminho para outras novas plantas no país. Segundo Soares, o Brasil acompanha o movimento mundial decrescimento da produção siderúrgica, apesar de o consumo aindaestar bem distante das taxas de países industrializados. "O consumo por habitante no Brasil ainda é baixo, apenas117 quilos per capita, países industrializados consomem de 400a 500 quilos per capita, como Estados Unidos e Japão",exemplificou. A China, fenômeno no setor siderúrgico nosúltimos anos, consumiu este ano 270 quilos per capita de aço,informou. A melhora da economia brasileira, no entanto, está aospoucos mudando o perfil das vendas no setor. Em 2007, asempresas tiveram que reduzir exportações para conseguir atendera demanda do mercado interno, considerado prioridade pelassiderúrgicas, por aumentar a margem de ganho nas vendas. "Só não podemos sair totalmente do mercado externo, se nãoa gente perde espaço", explicou Soares. Na Usiminas, que abastece metade do mercado de aços planosno país, voltado para a indústria automobilística, entreoutras, os 20 por cento enviados anualmente ao mercado externoforam reduzidos para 17 por cento, informou. Para o próximo ano, o sistema Usiminas programa a parada doalto-forno da Cosipa por três meses. (Edição de Roberto Samora)

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