Siderúrgica da Vale e Thyssen no Rio deve ser multada novamente

Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA) deverá sofrer penalização de R$ 2 milhões após poluir pela segunda vez o entorno da usina na zona oeste do Estado do Rio

Reuters,

27 de dezembro de 2010 | 15h22

A Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), uma parceria da Vale com o grupo alemão Thyssenkrupp, deverá receber multa que pode superar R$ 2 milhões após poluir pela segunda vez o entorno da usina, localizada na zona oeste do Estado do Rio de Janeiro.

De acordo com a secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos, a CSA corre o risco de não conseguir a licença de operação definitiva da siderúrgica, prevista para ser concedida em fevereiro.

"Eles têm licença de pré-operação, mas na situação atual não poderemos emitir a licença definitiva, mas vamos dar um prazo para eles apresentarem uma solução para esse problema", disse Marilene à Reuters, prevendo para terça-feira reunião com os responsáveis pela CSA.

"Vamos fazer uma reunião para que eles esclareçam sobre mais esse episódio, e sobre as providências que eles estão tomando para resolver de uma vez isso", afirmou Marilene.

Um defeito em um guindaste da aciaria da CSA, na manhã de domingo, obrigou a empresa a descartar ferro gusa nos poços de emergência licenciados para esse fim, que foram espalhados pelo vento no entorno da usina.

"Ventos fortes fizeram com que poeira de grafite fosse arrastada para as comunidades vizinhas", informou a CSA em nota, destacando que o grafite não afeta a saúde das pessoas, apesar de sujar o ambiente.

A secretária do Ambiente destacou que o primeiro acidente ambiental da CSA, ocorrido em agosto deste ano, também foi causado pelo uso do poço de emergência, que valeu uma multa de R$ 1,8 milhão, renegociada depois pela empresa para R$ 1,3 milhão, sendo R$ 800 mil em obras para comunidade e R$ 500 mil para os cofres do governo.

"Vai ter multa também desta vez e vai ser agravada por ser reincidente e pelo fato deles não terem avisado a gente imediatamente", explicou a secretária. "Não é possível que toda vez que eles usem o poço de emergência a população seja afetada", complementou.

A CSA informou que o problema que causou o acidente no domingo foi corrigido e as estações de monitoramento de qualidade do ar "indicaram que não houve, durante toda a duração do episódio, qualquer violação dos padrões legais".

A CSA tem capacidade para produzir 5 milhões de toneladas de placas de aço por ano e custou € 5,2 bilhões. O capital da empresa é dividido em 73,13% para a Thyssen e 26,87% para a Vale. O segundo alto-forno da empresa entrou em operação em meados deste mês.

Por Denise Luna

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