Siderúrgicas apóiam compra da Xstrata por VALE e não temem preço

Enquanto o mercado especula se aVale vai comprar a mineradora anglo-suíça Xstrata e em quecondições, os clientes da gigante brasileira descartam qualquergrande impacto nos preços se o negócio for concretizado. Recém-saídos de uma negociação de preços que surpreendeu osetor ao elevar entre 65 e 71 por cento o valor do minério deferro, contra uma expectativa de 35 por cento, e às vésperas deaumento para o carvão, que poderá atingir 100 por cento,siderúrgicas reunidas no 14o Congresso Mundial de Aço, no Riode Janeiro, afirmaram na sexta-feira que a compra da Vale épositiva e não deve pesar em futuras negociações do preço dacommodity. "As negociações não podem ser mais duras do que já sãohoje", afirmou a jornalistas após palestra no seminário omembro do Conselho Executivo do ThyssenKrupp, Hans-UlrichLindenberg. Primeira empresa européia a fechar com a Vale o ajuste deminério que irá vigorar este ano, a alemã Thyssen se consideraem linha com a sua principal fornecedora e apóia o sistema denegociação de preços da Vale, de negociações anuais de preço emdetrimento à flutuação de mercado, como defendem algumasmineradoras. "A Vale está fazendo um excelente trabalho de negociação depreços (do minério) e tem a visão de que ninguém pode ganharmais do que o outro", afirmou o executivo. Ele defendeu, assim como o diretor da Vale, José CarlosMartins fez na véspera, a continuidade do atual sistema denegociação para evitar que a entrada de especuladores nosegmento de minério. "(Se mudar) nós teríamos outros agentes no negócio, como jávimos em outras áreas...o dinheiro dos especuladores poderiadeteriorar o nosso negócio, como vimos no níquel", explicou."Os nossos clientes nos dizem para a gente fazer o que quiser,desde que deixemos o preço estável", complementou. Há mais de 30 anos as negociações de preço do minério deferro são feitas entre mineradoras e siderúrgicas einterrompidas assim que o primeiro acordo é fechado.Normalmente, as demais mineradoras seguem o primeiro acordo, oque não correu este ano após questionamento da BHP e Rio Tintopor preços maiores do que os obtidos pela Vale. Na avaliação do presidente da Usiminas, Rinaldo Soares,apenas a demanda e a oferta comandam o preço. Uma eventualaquisição da Xstrata só tornaria a Vale mais forte, o que navisão do executivo é positivo para o Brasil. "A Vale faz muito bem em buscar crescimento, o problema dopreço do minério é a demanda, por isso as siderúrgicas estãobuscando aumentar a produção de minério", afirmou ajornalistas. A Usiminas já elevou o preço do seus produtos este ano, de7 a 11 por cento, e prevê mais um aumento no primeiro semestreem função do ajuste do minério de ferro e do carvão. O índice,segundo Soares, dependerá de como ficará o ajuste do carvão. O espírito nacionalista também foi a justificativa dopresidente da ArcelorMittal Tubarão, José Armando Campos, paradefender a compra da Xstrata pela Vale, que segundo fontes demercado está para ser anunciada nos próximos dias. "Não é nenhuma surpresa a Vale conseguir comprar a Xstrata,é o fortalecimento de uma empresa brasileira e é bom para aindústria", afirmou Campos. Ele disse que assim como a mineração, a siderurgia tambémpassou por uma fase de consolidação, e isso trouxe maisestabilidade para a relação oferta e demanda.

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