Siderúrgicas da Índia enfrentam custo maior de matérias-primas

Companhias locais deverão fechar no próximo mês seus contratos anuais de compra com os fornecedores de minério de ferro e carvão coque

Marcílio Souza, da Agência Estado,

19 de abril de 2010 | 12h46

As siderúrgicas indianas têm pouca alternativa a não ser pagar preços mais altos pelo minério de ferro e carvão de coque no atual ano fiscal, já que a demanda aparentemente insaciável da China por matérias-primas criou um ambiente favorável aos vendedores, disseram executivos de siderurgia nesta segunda-feira.

 

As siderúrgicas locais deverão fechar em algum momento do próximo mês seus contratos anuais de compra com os fornecedores de matérias-primas, que incluem a BHP Billiton e a Rio Tinto e as indianas NMDC e Gujarat NRE Coke. Mas, como o país responde por apenas 5% da produção global de aço, as companhias indianas têm pouca influência nas negociações e têm de aceitar os preços que as grandes mineradores impuserem.

 

"A capacidade de influenciar os preços das matérias-primas é mínima", disse uma fonte próxima das operações da Tata Steel, a oitava maior siderúrgica do mundo em produção. "A Tata Steel não pode realmente colocar pressão sobre os fornecedores", disse a fonte, que pediu anonimato.

 

Embora as companhias possam em parte compensar seus custos mais elevados com matérias-primas por meio do aumento dos preços de seus produtos, os executivos com os quais a Dow Jones conversou não disseram qual impacto os custos terão sobre suas margens no ano fiscal que começou em 1 de abril. No início deste mês, as siderúrgicas elevarão seus preços em 5% a 10%.

 

Os preços do aço estão subindo desde junho do ano passado por causa da notável recuperação da China. A Tata Steel, que tem operações na Índia e no estrangeiro, compra cerca de 40% de suas necessidades de carvão de coque no mercado, mas obtém todas as suas necessidades de minério de suas próprias minas.

 

O diretor-executivo da JSW Steel, a segunda maior siderúrgica indiana em produção, Tuhin Mukherjee, disse que o custo de matérias-primas para a produção de uma tonelada de aço já aumentou em US$ 140 a US$ 150 em comparação com os níveis do ano passado. A empresa obtém 20% de seu minério de ferro e 100% de seu carvão de coque no mercado.

 

Executivos de duas fornecedoras locais, no entanto, disseram que a alta do custo das matérias-primas deve-se principalmente à base fraca, já que a crise global derrubou os preços no ano passado. "O carvão de coque estava em US$ 400 a tonelada em 2008", disse o presidente e diretor-gerente da Gujarat NRE Coke, Arun Jagatramka. "Portanto, você não pode dizer hoje que estamos em território desconhecido."

 

A Gujarat é a maior produtora de coque da Índia. O executivo prevê que o preço do carvão de coque nos contratos que ele assinar seja de US$ 225 a tonelada, cerca de 50% a 60% mais alto do que no ano passado.

 

A NMDC está tentando vender minério a US$ 110 a tonelada no atual ano fiscal em contratos de longo prazo, mais que o dobro do preço do ano passado, disse um executivo da mineradora estatal. No mercado à vista, os preços do minério estão atualmente em US$ 113 a tonelada e podem subir para US$ 150 até o final de junho, disse um executivo da Essar Steel. As informações são da Dow Jones.

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