Siderúrgicas dão desconto e zeram prêmio sobre importações--Inda

As siderúrgicas no Brasil praticamente zeraram a diferença de preços do aço plano em relação ao produto importado, não conseguindo impor reajustes anunciados no início do segundo semestre, afirmou o presidente do instituto nacional de distribuidores Inda, Carlos Loureiro.

ALBERTO ALERIGI JR., REUTERS

30 de setembro de 2010 | 09h14

Diante de importações recordes em agosto, as siderúrgicas no país estão concedendo "descontos de 5, 10, 15 por cento em relação aos preços do primeiro semestre", disse Loureiro à Reuters no final da tarde de quarta-feira. "Não fizeram o segundo aumento na distribuição e ainda estão dando desconto."

"As usinas já tomaram posições, principalmente em material de qualidade comercial, para fazer preços que desencorajam novas importações (...) Com esse nível de preço, elas estão praticamente zerando o prêmio sobre o material importado", acrescentou, referindo-se aos valores para outubro e apostando que a situação vai perdurar até o final do ano. Uma alta nos preços externos também tem ajudado a reduzir a diferença, comentou.

No final do primeiro semestre, as usinas negociavam reajustes de até 10 por cento para implementação a partir de julho. Mas, com aço importado chegando nos portos do país e uma cadeia distribuidora abarrotada com um volume equivalente a 4 meses de vendas, a estratégia está sendo de garantir o mercado interno enquanto o externo ainda não se recuperou totalmente.

"A pressão de estoque vai até o final do ano e entra no primeiro bimestre", estimou o presidente do Inda.

Os números do Inda apontam que o volume de estoque de aço plano, usado em produtos desde máquinas de lavar a automóveis e navios, era de 1,25 milhão de toneladas em agosto, equivalente a 3,9 meses de vendas pelos distribuidores no Brasil, quando o ideal considerado pela entidade seria de cerca de 2,5 meses.

O volume ganhou impulso a partir do segundo trimestre, após um forte desempenho de vendas de aço no mercado interno nos três primeiros meses do ano. Isso acabou encorajando não só empresas tradicionais do setor a encomendarem mais aço como também traders que formaram estoques aproveitando incentivos fiscais de portos em vários Estados do Brasil.

Em março, o volume de aço estocado nos distribuidores representava 2,1 meses de vendas, disse Loureiro.

Em agosto, enquanto a venda pelos associados do Inda somou 323 mil toneladas, alta de 1,2 por cento sobre julho, as compras tombaram 20 por cento, passando de 400 mil toneladas em julho para 320 mil toneladas no mês passado, equilibrando o fluxo.

CLIENTES ESTOCADOS

Loureiro afirmou que em setembro a expectativa é que as vendas de aço plano na distribuição sejam semelhantes às verificadas em agosto, podendo ficar 2 ou 3 por cento maiores. "Não existe um volume muito grande de vendas porque também os nossos clientes estão muito estocados."

A avaliação do mercado de que os grandes projetos de infraestrutura saíssem do papel e motivassem um consumo muito maior de aço no país ainda não se concretizou. "Está demorando. Chapa grossa, por exemplo, ainda não está se consumindo no mesmo nível que se consumia em 2007", disse o presidente do Inda.

Ele citou que a expectativa do mercado após a capitalização da Petrobras, ocorrida este mês, é de que a estatal comece a fazer encomendas mais significativos nos próximos meses, incentivando o consumo.

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