Siderúrgicas investem para se expandir e exportar minério

A alta do preço do aço estáfazendo siderúrgicas brasileiras tirarem da gaveta planos deexpansão após anos de estagnação, ao mesmo tempo em que a altados insumos vem mudando o perfil das empresas, agora focadastambém na exploração do minério de ferro para consumo próprio eexportação. Presentes no 14o Congresso Mundial de Aço, no Rio deJaneiro, representantes da Usiminas, ArcelorMittal Tubarão eCompanhia Siderúrgica Nacional anunciaram disposição paraacompanhar o crescimento do mercado e reduzir a dependência dasmineradoras. Segundo o presidente do Grupo Usiminas, Rinaldo Soares, aexpansão da produção do grupo de 9 para 15 milhões de toneladasde aço a partir de 2013 está garantida e, na próximasegunda-feira, a empresa assina com a Mitsubishi a compra de umlaminador de tiras a quente no valor de 1 bilhão de dólarespara a Cosipa, uma das usina do grupo. O equipamento terá capacidade para laminar 2,3 milhões detoneladas numa fase inicial, dentro de 32 meses, e que irásubir para 4 milhões de toneladas numa segunda fase, ainda nãodefinida. A compra faz parte de uma série de incrementos queUsiminas e Cosipa terão ao longo dos próximos anos. "Estamos mostrando ao mercado que nosso plano decrescimento está sendo feito", disse Soares a jornalistas apóspalestra no Congresso. Com a compra da mineradora J.Mendes no mês passado, aUsiminas entrou também no mercado de minério de ferro epretende se tornar exportadora este ano, atingindo até 2milhões de toneladas de minério exportadas em 2009. A partir de2013, o volume deve crescer para até 7 milhões de toneladas. "Nossa planta de Ipatinga sempre será atendida pela Vale,que está bem do lado, por isso vai sobrar minério paraexportar", disse o executivo. Para fabricar uma tonelada de aço são necessárias 1,5tonelada de minério, explicou Soares, calculando que quando ogrupo atingir a produção de 15 milhões de toneladas de aço vaiprecisar de cerca de 21 milhões de toneladas de minério. Nessaépoca a mina estará produzindo 29 milhões de toneladas deminério. Até 2012, a Vale tem contrato para compra de 2 milhões detoneladas da J.Mendes, informou, anunciando que a empresaplaneja também construir uma pelotizadora, ainda sem lugardefinido. MAIS DE 100 MILHÕES Também de olho no crescimento do mercado e nasoportunidades que se abrem na mineração, a CSN conversa compequenos produtores para comprar minas de minério de ferro eelevar a produção da commodity para mais de 100 milhões detoneladas a partir de 2012, sendo que 70 milhões desse totalserão exportados. O restante será utilizado na operação dasiderúrgica, também em pleno processo de expansão. "Este ano já poderemos exportar 25 milhões de toneladas donosso minério pelo nosso porto e vamos expandir essa capacidadepara mais de 100 milhões de toneladas, vamos trabalhar paraconseguir essa capacidade adicional no porto a partir de 2012",disse o diretor executivo da área de mineração da CSN, JuarezSaliba. Após dar por vencida uma briga na Justiça com a Vale pelodireito de preferência do minério da mina de Casa de Pedra, aCSN deu a partida para elevar a produção da unidade dos atuais20 milhões de toneladas para 70 milhões em quatro anos. Asubsidiária Namisa terá acréscimo de 20 milhões a 26 milhões detoneladas de minério e o volume adicional virá pela compra deoutras minas, para chegar aos 100 milhões de toneladas. "Podemos ir além dos 100 milhões de toneladas muito fácil",declarou Saliba, informando que a empresa pretende tambémentrar no segmento de pelotas, visando o mercado chinês. AUMENTANDO MONLEVADE Também animados com o mercado aquecido, o grupoArcelorMittal está aumentando a capacidade da usina deMonlevade, em Minas Gerais, de 1,2 para 2,7 milhões detoneladas nos próximos 30 meses. Como consequência, a mina deAndrade, que abastece com minério de ferro a usina, terá acapacidade dobrada de 1 para 2 milhões de toneladas. "Nosso foco é a siderurgia, mas se a oportunidade (emmineração) surgir, nós vamos buscá-la...as que apareceram atéagora não foram interessantes, acharam que não valia a pena, oueram muito caras ou não faziam sentido do ponto de vista delogística", afirmou o presidente da ArcelorMittal Tubarão, JoséArmando Campos, empresa do grupo que concluiu no final do anopassado a expansão de 2,5 milhões de toneladas de aço. "Esse será nosso primeiro ano cheio com a expansão deTubarão", lembrou o executivo. O grupo ArcelorMittal é o maior produtor de aço no Brasil,com 13,5 milhões de toneladas anuais e pretende atingir 20milhões de toneladas em 2012.

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