Site de encontros manipulou dados para juntar casais incompatíveis

Fundador do OkCupid, um dos mais populares serviços online de encontros dos Estados Unidos, causa polêmica ao revelar experiência que comprovou o poder de sugestão nos encontros amorosos

AFP

29 de julho de 2014 | 17h44

SAN FRANCISCO - O site de encontros online OkCupid, dos Estados Unidos, decidiu sair do armário: eles também manipularam dados de internautas e vincularam casais incompatíveis como experiência para ver o que acontecia.

A denúncia despertou uma nova polêmica semelhante à causada pela descoberta de que o Facebook manipulou secretamente o feed de notícias de 700 mil usuários com o objetivo de avaliar o "contágio emocional" nas redes sociais.

O site OkCupid, um dos mais populares de encontros online nos Estados Unidos, revelou que redefiniu sua fórmula para armar encontros de casais com o propósito de estudar melhor o seu ramo de negócios. 

O fundador do site, Christian Rudder, escreveu a confidência nesta terça-feira, 29, em um post no seu blog intitulado "Nós fizemos experiências com seres humanos".

O seu comentário foi feito a propósito da polêmica envolvendo o Facebook, por manipular o algoritmo usado para distribuir os posts no feed de notícias dos usuários para verificar como isso afetava o seu humor.

"Notamos recentemente que as pessoas não gostaram de terem sido usadas no experimento com seus perfis no Facebook", disse Rudder. "Mas, adivinhem: se usam a internet, vocês estão sujeitos a centenas de experiências a qualquer momento, em qualquer site. Assim é que que funcionam as páginas na internet", acrescentou.

No OkCupid, os internautas abrem um perfil com fotos e uma autobiografia. Também devem responder a um questionário orientado para definir a personalidade e preferências. Com base nessas informações, um algorítimo do site sugere ao usuário potenciais parceiros, indicando a porcentagem de 'coincidências'.

Assim, se aparece um potencial pretendente com 95% de pontos em comum, as chances de o casal dar certo parecem altas. Rudder escreveu no seu blog que o OkCupid escondeu textos dos perfis dos usuários para determinar que tão importantes eram as palavras comparadas às fotografias.

Também destacou que havia dito a pssoas aparentemente incompatíveis que eram parceiros ideais (com mais de 90% de coincidências), para estudar o alcance do poder de sugestão nas equações românticas.

O OkCupid descobriu que as palavras importam pouco quando comparadas às fotografias, e que somente dizer a duas pessoas incompatíveis que eram parceiras ideais era suficiente para que elas entrassem em acordo.

"Quando dizemos que duas pessoas formam um bom casal, elas atuam como se fossem de fato um par ideal", disse Rudder.

"Na verdade, o OkCupid não sabe o que faz", escreveu. "Ninguém sabe, em nenhum outro site. A maioria das ideias são más. Inclusive as boas ideias poderiam ser melhores. Os experimentos são a única forma de investigar".

No início de julho, autoridades britânicas informaram que investigariam o Facebook pelo experimento que manipulou os sentimentos de internautas, o que provocou uma desculpa pública por parte da rede social.

Em janeiro de 2012, o Facebook manipulou as informações de cerca de 700 mil internautas para um estudo científico sobre "contagio emocional" entre grupos.

O resultado mostrou que os usuários usam mais palavras negativas ou positivas conforme o alcance dos conteúdos aos quais são expostos.

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