Site finlandês aposta em busca local com conteúdo hiperlocal

Internautas contribuem com informações para formação da base de dados

Sandra Silva, especial para o estadao.com.br,

06 de novembro de 2009 | 17h56

O destaque do último dia da 17ª edição da Conferência de Jornalismo Digital da WAN-IFRA (Associação Mundial de Jornais e Empresas de Conteúdo) em Barcelona (Espanha) é a estratégia de grupo finlandês de comunicação Helsingin Sanomat OY de rentabilizar as novas ferramentas de busca (Google, o website de vídeos You Tube e enciclopédia Wikipedia) que revolucionaram o jeito de pesquisar na internet.

 

O site de busca Oma kaupunki.fi aposta no conteúdo editorial direcionado aos tópicos locais mais buscados pelos internautas em Helsinque, aproveitando a proximidade com os leitores do jornal do grupo, o Helsingin Sanomat.

 

O diferencial em relação ao gigante site do Google é a maior aposta em informações mais precisas da comunidade sobre um assunto hiperlocal (diretório local combinado a uma comunidade hiperlocal). "É a velha história de um viajante que busca no celular a localização de um restaurante em uma determinada cidade. A informação obtida no Googlemaps é que o local fica distante 10 minutos. Meia hora depois, o visitante continua completamente perdido e pede informação a algum morador da cidade. Os usuários locais sabem os melhores lugares e conhecem o melhor da cidade onde vivem", afirma o gerente de desenvolvimento de negócios do Helsingin Sanomat, Anders Stenbäck.

 

Criado há dois anos para a área metropolitana de Helsinque, o Omar é direcionado a duas necessidades básicas das pessoas: "O que Fazer?" e "Onde Ir?". O top10 de pesquisas é "restaurantes". Há a possibilidade de fazer reservas online para o jantar no site de estabelecimento comercial e visualizar mapa, numa base de dados de 13 mil locais na grande Helsinque.

 

A audiência do Oma kaupunki é de 100 mil visitantes únicos semanalmente. Há canal de busca de eventos, seção "Encontre um Lugar", grupos de afinidades, fotos de usuários e conteúdo editorial. "Os internautas participam do ranking dos melhores lugares, deixam comentários e os proprietários também pode participar. Atualizamos as informações de busca. É possível saber quando um restaurante muda por exemplo, o horário de funcionamento ou realiza promoção para os clientes. Há outro canal, o 'E Faça Perguntas!' onde as pessoas que mudaram para Helsinque recentemente procuram por exemplo, uma boa escola para as crianças perto de casa", afirma Stenbäck.

 

Outra estratégia do grupo finlandês foi a de pedir a celebridades locais que indicassem seus lugares preferidos na cidade, incluindo na busca. E há as contribuições dos internautas para o diretório. Cerca de 10% dos locais indicados na busca são dicas dos próprios usuários. Mas a maior parte da base de dados vem do suplemento semanal de restaurantes do New York Times, informações de autoridades municipais e estaduais, ou de notícias locais produzidas por jornalistas.

 

No balanço dos dois primeiros anos de funcionamento, Stenbäck conclui que muitos pequenos negócios da cidade ainda resistem em participar das buscas. Outro desafio é aumentar a rentabilidade do site. "Muitos restaurantes têm adesivos dos tradicionais guias de restaurantes. Esses guias internacionais são os nossos principais competidores", afirma o executivo que também analisa a possibilidade de expandir os serviços utilizando métodos "wiki-style" (Wikipedia) e agregar pesquisas acadêmicas de Helsinque no Oma.

 

Clube do Le Monde

 

Num momento pós crise em que volta à discussão na Espanha e também na Alemanha da cobrança de conteúdo jornalístico na internet, o case do jornal francês Le Monde Interactif é um exemplo bem sucedido de mix.

 

O jornal cobra seis euros mensalmente pelo acesso a conteúdos especiais na internet (artigos, análises) com plus de notícias de agências, como a Reuters. A versão em e-paper custa 15 euros. E há também editorial gratuito limitado para quem não quer pagar. São cerca de 85 mil assinantes. "É como pagar por um clube no Le Monde Interaractif. Do faturamente total, 57% vem da publicidade e o restante das assinaturas. O valor de seis euros não é alto. Esse é um fator econômico importante. Quem lê Lê Monde tem menos dinheiro do que quem lê o Lê Figaro. E na França os jornais são políticos.

 

Antigamente as pessoas gostavam de ser vistas com a edição impressa do Le Monde debaixo do braço. E esse sentimento continua. Estamos trabalhando nossa imagem", afirma o CEO de Le Monde Interactif, Philippe Jannet, que está há 15 anos no Le Monde e coordenou a primeira onda da internet, na década de 90.

 

O executivo não acredita que a experiência de leitura no celular possa atrapalhar o tráfego na internet embora tenha visto ultimamente alguns tipos de canibalização no mercado. Para ele, é um erro vender publicidade de internet e mobile conjuntamente. O importante é que a operação de mobile não atrapalhe a internet.

 

Em acompanhamentos diários, o Le Monde verificou que as pessoas leem o jornal no celular no período da manhã e à noite. Durante o resto do dia, cresce a leitura no computador, possivelmente no período em que os leitores estão trabalhando no escritório. "Ganhamos mais leitores com a mobilidade. Não houve canibalização", conclui o CEO.

 

A versão do Le Monde no iPhone é ridiculamente fácil para navegar, segundo Jannet, mas conta com atualizações constantes, avisadas ao consumidor por e-mail.

 

Por enquanto, é gratuita mas futuramente há a possibilidade de pacotes de serviços específicos para móbile. A versão para celular é a quinta já lançada pelo diário e registra 3,2 milhões de visitas mensalmente. "Em iPhone somos o aplicativo gratuito número um na AppleStore e vivemos um momento de glória quando a Apple escolheu o site do Le Monde no iPhone para uma campanha na TV. Em 1996 e 1997, apenas empresas de tecnologia queriam veicular publicidade na internet. Agora acontece diferente no iPhone. Muitas empresas querem anunciar. Na campanha de Natal vamos ganhar dinheiro com aplicativos de iPhone", afirma o executivo.

 

Alemanha

 

O responsável pelo site SZOn do grupo Gesellschaft Multimedia mbH& CO. KG, Thomas Löbel, afirma que o momento é de reflexão no mercado jornalístico alemão. "O conteúdo editorial é gratuito na Alemanha. No passado, já discutimos esse assunto. Mas depois da crise econômica americana, voltamos a discutir a possibilidade de cobrar pelo acesso porque houve queda na receita da publicidade online", afirma Lobel sem dar detalhes de percentuais ou cifras.

 

O site Zeit Online, relançado em Hamburgo (Alemanha) em setembro com investimento 500 mil  euros (após um ano e meio de desenvolvimento) mistura conteúdo gratuito no site e pago no e-paper, cobrando sete euros por mês.

 

O novo site realiza cobertura online nacional e internacional de assuntos diversos (esportes, política, cultura) e conta com 20 blogs, está no Facebook e Twitter. Segundo o idealizador, Wolfgang Blau, o Zeit Online tem a intenção de estar entre os melhores e não entre os maiores sites do país, com artigos e análises editoriais bastante aprofundadas.

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