Situação atual do segmento gera oportunidades

No mercado residencial, construtoras promovem saldões com descontos agressivos para acelerar vendas e reduzir estoque

Anna Carolina Papp, O Estado de S. Paulo

17 Abril 2015 | 05h14

Depois de anos de forte valorização, o mercado de imóveis residenciais, acompanhando o cenário macroeconômico, passa por um momento de desaceleração e ajuste. A boa notícia para o comprador é que 2015, segundo especialistas, é o ano das oportunidades. A fim de acelerar as vendas e diminuir os estoques, construtoras realizam saldões com descontos agressivos para que o cliente feche negócio.

Segundo dados do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), a capital paulista encerrou o mês de fevereiro com 26.756 unidades não vendidas em oferta, o que equivale a um estoque para 15 meses. “A situação do mercado imobiliário brasileiro é muito parecida com a de outros setores da economia, que não está decolando”, diz Claudio Bernardes, presidente do Secovi-SP. “Temos um estoque alto, mas justamente nesses momentos que surgem oportunidades interessantes. O consumidor tem condições de fazer bons negócios, principalmente em unidades remanescentes de empreendimentos prontos.”

A tarefa do comprador para 2015, portanto, é garimpar as ofertas. A Lopes, maior imobiliária do País, fez no início de março uma promoção com até 32% de desconto. A Tecnisa lançou em seu site o “mega bônus”, com descontos de até R$ 60 mil. A Even promoveu no fim do mês passado o Even Day, com descontos de até 50%. “Ficamos satisfeitos com o evento, atingiu plenamente os objetivos”, diz Carlos Terepins, presidente da empresa. “Se o consumidor pesquisar bem, vai encontrar uma relação de preço mais interessante do que ele encontrou no passado e até do que ele pode encontrar no futuro, acredito.” 

Para Bernardes, do Secovi, o consumidor deve olhar além dos descontos. “Essas promoções têm preços mais atrativos, mas existem também promoções nas formas de pagamento.”

A Trisul, por exemplo, adotou outra estratégia. Em vez de baixar o preço do imóvel, a construtora preferiu oferecer quatro opções de benefícios à escolha do cliente: um ano de supermercado, um ano de mensalidade escolar, um ano de fitness ou uma viagem de lua de mel. 

“Optamos por um viés diferente. Acreditamos que nossos produtos estão bem localizados e têm um bom valor agregado, por isso oferecemos benefícios em vez do desconto”, diz Sérgio Marão, gerente comercial da Trisul. A empresa começou a liquidação em março, com 270 unidades, e vendeu por volta de 90 - 30% a mais do que no mesmo mês do ano passado. “Temos unidades de R$ 100 mil a R$ 1 milhão, para todos os bolsos”, diz Marão. Para ele, as zonas Norte e Leste concentram as melhores oportunidades. A promoção vai até o final de maio.

Perfil. Se o mercado imobiliário está em transformação, o perfil do comprador também está. Segundo estudo realizado pela área de Inteligência de Mercado da Lopes, o comprador potencial de imóveis residenciais na região metropolitana de São Paulo é cada vez mais jovem: tem idade média de 33 anos, alto grau de escolaridade (76% da amostra), é solteiro (56%) e tem filhos (52%). De acordo com a pesquisa, a renda média mensal é de R$ 8.390. O imóvel novo é financiado por 89% dos compradores, que por sua vez comprometem 31% de sua renda. 

Para 43% da amostra de paulistanos, a localização é crucial na hora de fechar o negócio. “Ele aceita se movimentar para perto do trabalho ou regiões de fácil acesso, mesmo que tenha de ir para uma metragem menor por causa disso”, diz Mirella Parpinelle, diretora de atendimento da Lopes. A pesquisa aponta ainda que esse jovem sai, em média, de um imóvel de 90 metros quadrados, sendo que 42% moram com pais ou familiares, para um imóvel de 62 metros quadrados. 

Preço do m² de imóveis usados cai 3,14% no 1º tri.

No primeiro trimestre do ano, o preço do metro quadrado de imóveis usados anunciados subiu 0,69%, segundo o índice FipeZap, que pesquisa o preço em 20 cidades pelo País. Como o IPCA no período foi de 3,83%, houve queda real de 3,14%.

Em março, a alta nominal foi de 0,14% - quinta vez consecutiva em que os preços sobem abaixo da inflação. “Como o mercado aparentemente apresenta o que os economistas chamam de rigidez de preços, vamos uma virada no poder de barganha do consumidor”, diz Eduardo Zylberstajn, coordenador da pesquisa.

O metro quadrado mais caro continua na cidade do Rio de Janeiro (R$ 10.650), seguida por São Paulo (R$ 8.538).

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