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Skaf pede medidas mais fortes para aumentar competição na indústria

Para presidente da Fiesp, se o ritmo atual de importações de bens industrializados continuar, balança comercial de manufaturados terá déficit de US$ 100 bi

Alexandre Rodrigues e Eduardo Rodrigues da Agência Estado,

26 de julho de 2011 | 16h59

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmou nesta terça-feira, 26, que, mantido o ritmo atual de importações de bens industrializados, a balança comercial brasileira de manufaturados encerrará o ano com déficit de US$ 100 bilhões. "Isso significa que estaremos exportando um milhão de empregos este ano", avaliou.

Skaf disse que o governo precisa tomar medidas mais incisivas para dar competitividade à indústria de transformação brasileira, competitividade essa que vem sendo roubada pelo câmbio valorizado.

Ele reafirmou que, em encontro hoje pela manhã, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, garantiu que a nova política industrial será divulgada pelo governo na próxima semana.

Medidas

Entre as medidas cogitadas para o plano, cuja última previsão de lançamento é o início de agosto, apenas a desoneração da folha de pagamentos é vista como viável no curto prazo por executivos.

Com o curto espaço fiscal do governo, as indefinições sobre a redução de carga tributária sobre produtos e investimentos, financiamento subsidiado permanente para investimentos, redução do custo de capital e dos preços de insumos desanimam empresários e deixam os investimentos em compasso de espera.

Projeção da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) indica que a indústria de transformação deverá investir R$ 167,1 bilhões em bens de capital, inovação e instalações este ano, 4,7% a menos do que em 2010. Essa queda deve ser ainda mais acentuada, de 7,3%, considerando apenas a aquisição de máquinas e equipamentos, principal componente para a expansão da indústria.

Estudo da consultoria PwC atualizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que, na construção de uma siderúrgica, por exemplo, a tributação indireta eleva em 16,9% o custo total do investimento. Uma pesquisa da Fiesp no ano passado apontou a tributação, o custo de capital e a mão de obra como as três principais barreiras para o crescimento da indústria. O câmbio, apontado como o maior vilão da competitividade, aparece em quarto lugar.

Maurício Cunha, diretor industrial da montadora de ônibus Caio Induscar, diz que se a nova política industrial trouxer iniciativas modestas no campo tributário, como o crédito de PIS/Cofins para exportação, o efeito será limitado na empresa, que investe R$ 50 milhões na ampliação da fábrica de Botucatu (SP) de olho no mercado interno. Para ele, das propostas mais factíveis, só a desoneração da folha faria diferença.

"Nosso produto é intensivo em mão de obra. Cada ônibus tem de 18% a 22% do custo na mão de obra. Não é nada extraordinário porque o grande custo é a matéria-prima, mas já teria um impacto real. Além disso, nosso clientes são empresas de ônibus, que também teriam mais espaço para investir na frota se tivessem alívio na folha de motoristas e cobradores", diz.

Folha de pagamento

Segundo estimativa da Fiesp, cada ponto porcentual de desoneração líquida da folha proporcionaria uma elevação de 0,78% no investimento do setor. Carlos Gomes, presidente da PSA Peugeot Citroën para a América Latina, também vê a desoneração da folha com bons olhos, mas aponta a falta de infraestrutura e o elevado custo de matérias-primas como problemas mais agudos de quem quer produzir no Brasil. "Também há os impostos e os juros altos, já que nosso setor é muito dependente de capital, mas diria que já seria um bom passo aliviar os insumos e melhorar a infraestrutura", diz o executivo.

Gomes, que trabalha num novo plano de investimentos para o ano que vem e avalia aumentar os investimentos da PSA na Argentina, diz que o custo do aço 30% acima do praticado em países como a Coreia desestimula a produção no Brasil. No entanto, é o potencial do mercado interno que o mantém focado no País, embora a importação de automóveis experimente forte alta. Dos 15 novos carros que a PSA pretende lançar no País até 2014, cinco serão importados.

Cleber Morais, diretor-presidente da Bematech, acha que o governo começou a entender que é preciso fazer algo para preservar a competitividade da indústria nacional e por isso demora a fechar a nova política. Fabricante de equipamentos de softwares e equipamentos de informática, a Bematech investiu R$ 19 milhões em desenvolvimento no ano passado, com foco principalmente em produtividade, para tentar fazer frente aos importados chineses.

"Competir globalmente é um desafio muito forte hoje. O governo começa a sentir as dores", avalia. Ele também cita a desoneração da folha como a medida em discussão de maior impacto, especialmente num segmento dependente de mão de obra especializada como o de tecnologia, mas diz que é preciso muito mais. "Só a desoneração da folha é muito pouco dada a complexidade que a gente vive. O Brasil cresce diante do mundo e, por outro lado, está caindo em competitividade. Estamos vivendo um colonialismo tecnológico", alerta.

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