JF Diorio/Estadão
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Smart Fit precifica ação a R$ 23 em IPO e movimenta R$ 2,3 bilhões

Oferta de ações da rede de academias foi uma das mais demandadas na Bolsa brasileira nos últimos anos, mesmo com o fechamento temporário das unidades durante a pandemia

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2021 | 18h36

Com a tese de retomada da economia e de aceleração de crescimento, a rede de academias Smart Fit, do empresário Edgard Corona, acaba de concluir sua oferta inicial de ações (IPO, pela sigla em inglês), que movimentou R$ 2,3 bilhões, considerando o lote principal.  A demanda pelos papéis superou em 20 vezes o volume ofertado, algo raramente visto no mercado local. 

Mesmo com a elevada demanda entre os investidores, a decisão foi de precificar a ação da Smart Fit a R$ 23 – o intervalo previsto ia de R$ 20 a R$ 25. A justificativa era de garantir um bom desempenho dos papéis da novata na B3, visto que a empresa quer voltar ao mercado para uma nova emissão. 

A oferta foi lançada com os chamados investidores âncoras, que são aqueles que garantem a compra de ações de parte do IPO, algo que torna a operação mais confortável para os emissores. Em conjunto, a tradicional gestora Dynamo, o fundo soberano de Cingapura CPPI se comprometeram a comprar R$ 750 milhões nessa oferta. A participação de empresas que são investidoras muito conhecidas no mercado financeiro ajudou a atrair ainda mais demanda, segundo uma fonte.

 Além da família Corona é sócio da empresa o fundo de private equity (aquele que compra ações de empresas) Pátria – e sua saída deverá ocorrer mais a frente em uma nova oferta de ações. A participação direta de Edgard Corona passa, com a oferta, de 11% para 8,5%. O Pátria, por meio do fundo BPE FIT Holding, que tinha 51% passará para 39,6% após a operação.

Apesar do grande interesse dos investidores, a decisão foi de não emitir as 15 milhões de ações do lote adicional, que é aquele que pode ser vendido em caso de elevada demanda em uma oferta de ações.  Essa decisão ocorreu, conforme apurou o Estadão,  para os controladores reterem participação neste momento e terem uma margem no futuro para uma eventual aquisição que demande troca de ações, movimento que provoca diluição acionária. No entanto, não há nenhuma compra de ativo em vista, disse uma fonte. Neste ano a companhia já comprou a rede e academias Just Fit.

Aos investidores, ao longo das reuniões para o IPO, a venda foi de uma tese de retomada com a economia ganhando tração com o avanço da vacinação no País, a exemplo do que vem ocorrendo nos Estados Unidos, por exemplo. Fora isso, a rede de academias será a primeira no setor na B3 e uma boa forma dos investidores “surfarem” na esperada recuperação do Produto Interno Bruno (PIB).

O forte interesse de investidores foi tanto que ignorou, por exemplo, uma disputa na Justiça envolvendo acionistas minoritários da companhia.

A demanda registrada nessa oferta foi a maior em uma oferta de ações nos últimos anos na Bolsa brasileira, também a despeito da maior volatilidade do mercado por conta da crise política no País.

Meta de expansão

O valor movimentado na oferta irá para o caixa da empresa e financiará basicamente crescimento e expansão da rede. O montante será em grande parte (70%) utilizado para a abertura de novas unidades da Smartfit. Aquisições estratégicas não estão descartadas, conforme o prospecto da oferta de ações.

Hoje a empresa está presente em 13 países da América Latina e ao final do primeiro trimestre tinha cerca de mil academias – 538 no Brasil. Antes da pandemia, que obrigou o fechamento temporário das academias, a empresa tinha ao todo 2,8 milhões de clientes e vinha numa expansão de aproximadamente de cerca de 40% ao ano. 

Foram coordenadores da oferta o Itaú BBA, Morgan Stanley, BTG Pactual, Santander e Banco ABC. 

 

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