Só inovação pode reverter déficit do setor automotivo, diz Anfavea

Segundo presidente da associação, em 2010, saldo do segmento representou 60% da redução do saldo comercial brasileiro entre 2006 e 2010

Silvana Mautone, da Agência Estado,

29 de junho de 2011 | 17h29

A indústria automotiva brasileira acredita que poderá reverter o atual déficit da balança comercial do setor até 2015 ou 2016 caso a nova política industrial do governo - que deve ser apresentada em julho - contemple iniciativas que estimulem a inovação. "Em 2010, o saldo foi negativo em US$ 6 bilhões, sendo que em 2006 tínhamos chegado a um superávit de US$ 9,6 bilhões. O setor automotivo representou 60% da redução do saldo comercial brasileiro entre 2006 e 2010", afirmou Cledorvino Belini, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

"Sem inovações disruptivas, isso não será possível. As últimas verdadeiras inovações disruptivas que tivemos no nosso setor foram a criação do etanol e do carro flex", disse. Segundo ele, o Brasil investe apenas cerca de 1% do seu Produto Interno Bruto (PIB) em pesquisa e desenvolvimento, enquanto na China esse número é de 1,5%, nos Estados Unidos é de 2,7% e na Coreia e no Japão chega a 3,5%.

A Anfavea apresentou hoje à imprensa um estudo sobre a competitividade do setor, elaborado pela PricewaterhouseCoopers, que a entidade entregou ao governo há cerca de duas semanas. "Fizemos um diagnóstico do setor. Não pedimos nada dessa vez", disse Belini. Segundo ele, agora a indústria terá de lidar com a realidade do câmbio valorizado. "Não adianta também pedirmos para baixar a taxa de juros, porque o governo tem de combater a inflação", afirmou.

Belini disse que o estudo foi bem recebido pelo governo e que um grupo multidisciplinar, que inclui, por exemplo, integrantes do Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio, da Fazenda e da Ciência e Tecnologia, está estudando a questão.

Na opinião de Belini, se não forem feitos investimentos em inovação, o País continuará importando cada vez mais. A Anfavea estima que este ano serão comercializados 3,69 milhões de automóveis no Brasil, mas que até 2020 esse número pode chegar a 6 milhões. "Mercado nós temos. Mas se não fizermos nada, estaremos criando mercado para ser abastecido por veículos de fora", afirmou.

De acordo com números divulgados pela Anfavea, enquanto as vendas de veículos no Brasil cresceram 115% desde 2005, a produção cresceu num ritmo bem menor, 45%. Ou seja, essa diferença foi suprida pela importação de veículos, que passou de 88 mil unidades em 2005 para mais de 660 mil no ano passado e deve chegar a 850 mil este ano.

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