Monica Alves/Estadão
Monica Alves/Estadão

Sob pressão, Abilio abre caminho para votação de novo conselho da BRF

Fundos Petros e Previ ampliam apoio na busca por maioria dos acionistas para eleger uma nova chapa para o colegiado da companhia

Fernando Scheller, Renata Agostini e Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2018 | 16h31

Em disputa aberta com Abilio Diniz e o atual conselho de administração da BRF, presidido pelo empresário, os fundos de pensão do Banco do Brasil (Previ) e da Petrobrás (Petros) seguem empenhados em montar nova chapa para o conselho e captar novos apoios para a destituição do atual colegiado. Do lado dos fundos, estão acionistas com cerca de 40% de participação na BRF, apurou o Estado com seis fontes a par das tratativas. Ontem, o empresário divulgou carta criticando a postura hostil dos fundos, mas convocou reunião para segunda-feira para permitir chamada de assembleia para eleição de um novo conselho.

Para conseguir tirar Abilio da presidência do conselho da empresa, dona das marcas Sadia e Perdigão, e mudar o colegiado, os fundos das duas estatais precisarão de mais da metade dos votos na assembleia geral extraordinária, que deverá ocorrer em abril. 

Juntos, os dois fundos têm 22% da BRF. Mas já ganharam apoio do fundo americano Aberdeen, das gestoras cariocas JBI e JGP, e de integrantes da família fundadora da Sadia, segundo fontes. Um investidor relevante, que tem cerca de 3% da empresa, disse ao Estado que apoiará os fundos, mas pediu para não ter o nome revelado. Essa fonte classificou a posição do empresário à frente do colegiado como insustentável. 

No meio desse turbilhão, a BRF anunciou ontem a renúncia do seu vice-presidente de operações globais, Hélio Rubens Mendes dos Santos Junior, ao cargo. A companhia não explicitou os motivos para a saída do executivo. 

Trajetória. Embora tenha uma fatia menor que a dos fundos, Abilio dá as cartas na BRF desde 2013, quando foi trazido para o negócio pelo fundo brasileiro Tarpon. No fim do ano passado, já com os resultados no terreno negativo, um nome ligado ao empresário – José Aurélio Drummond Júnior – foi escolhido como presidente executivo da BRF, em substituição a Pedro Faria, da Tarpon. 

++ Petros e Previ ganham apoio de outros fundos para destituir conselho da BRF

Especialista em gestão corporativa, Herbert Steinberg, da Mesa Corporate, afirma que essa posição hostil de Petros e Previ não é típica dos fundos de pensão, mesmo em negócios que vêm dando prejuízo, como a BRF, que perdeu quase R$ 1,5 bilhão entre 2016 e 2017, após anos seguidos de lucros. 

“Na vida corporativa, aprendi que não é o resultado do balanço que leva a uma ruptura como essa, e sim uma questão comportamental”, disse Steinberg ao Estado. “Se estivessem sendo bem tratados, os fundos provavelmente não tomariam esse caminho.”

Comunicado. Pressionado pelo envio de carta no sábado por Previ e Petros, Abilio convocou para a próxima segunda-feira uma reunião para deliberar sobre o pedido dos fundos. Caso o colegiado, que hoje tem nove integrantes, vote contra a instauração da assembleia, os fundos poderão convocá-la em seguida à revelia do conselho. 

Dono de 4% da BRF via Península Participações, veículo de investimentos de sua família, Abilio divulgou ontem comunicado sinalizando contrariedade com o movimento dos dois sócios. Nele, o empresário afirmou que compartilha da insatisfação com os resultados da BRF, mas discorda da “forma e do momento em que estão se manifestando”. 

++ 'Quero estimular as pessoas a votarem bem', dioz Abilio Diniz

No documento, Abilio afirma que não “houve espaço para o diálogo tampouco a preocupação com os interesses da BRF e a responsabilidade de seus dirigentes”, já que a notícia sobre a intenção dos fundos de pensão surgiu na imprensa na semana passada e somente depois a empresa foi comunicada oficialmente.

Responsabilidade. O empresário alfinetou os dois sócios no comunicado, ao lembrá-los que eles referendaram, via conselho, as decisões tomadas. “Todo acionista que teve assento no conselho de administração é responsável pelos rumos da empresa, pois todas as decisões nesses últimos quase cinco anos foram tomadas de forma unânime pelo colegiado, com raríssimas exceções”. 

Previ e Petros são acionistas da BRF desde sua criação, em 2009 e têm um representante cada um no colegiado, que é formado por nove membros, sendo cinco independentes.

Procurados, os fundos não se pronunciaram sobre as negociações para a nova chapa. 

A JGP informou que mantém diálogos com as fundações, “uma vez que o diagnóstico atual para a condução da empresa não é a melhor”.

 

 

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