Raízen/ Divulgação
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Raízen faz o maior IPO do ano na Bolsa e levanta R$ 6,9 bilhões

Companhia, sociedade entre Cosan e Shell, fará estreia na Bolsa brasileira avaliada em R$ 76 bilhões e já se posiciona entre as empresas de maior valor do mercado brasileiro

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2021 | 18h32

A Raízen, sociedade entre Cosan e Shell, acaba de realizar a maior abertura de capital de 2021 até o momento. Superando o mercado volátil e ganhando força com o discurso de transição energética, a companhia atraiu grandes fundos de investimento e conseguiu colocar R$ 6,9 bilhões no caixa, informaram fontes de mercado ao Estadão

A empresa fará sua estreia na Bolsa brasileira valendo R$ 76 bilhões e já se posicionando entre uma das empresas mais valiosas da B3, sendo a maior do setor de energia do Brasil. O IPO faz parte dos planos da Cosan, que vale hoje R$ 48 bilhões na Bolsa, de listar suas subsidiárias, de forma a destravar o valor da companhia.

A ação da produtora de açúcar e etanol e distribuidora de combustíveis foi precificada em R$ 7,40, no piso da faixa indicativa de preço, que vai até R$ 9,60. A demanda chegou a R$ 30 bilhões, sendo R$ 14 bilhões vindos apenas de pessoas físicas, apurou a reportagem. O total de R$ 6,9 bilhões da oferta representa o lote principal e o suplementar. A decisão foi a de não vender o lote adicional.

A Raízen, com faturamento na casa de R$ 115 bilhões, tem seu controle dividido igualitariamente entre a Cosan e a Shell. Com a oferta, a empresa tem um valor de mercado cerca de 60% superior ao da Cosan na Bolsa. A expectativa agora é de que os investidores enxerguem melhor o valor da empresa, algo que poderá influenciar positivamente a ação da Cosan, que já vem em tendência positiva, se valorizando 38% neste ano.

Para conseguir lançar sua oferta, a empresa teve que reduzir suas ambições iniciais e acabou diminuindo o valor de seu IPO, que vinha sendo inicialmente estudado em cerca de R$ 13 bilhões.  A ação, batizada de “RAIZ3”, estreará na B3 na quinta-feira, dia 5.

Novas fontes de energia

A aposta dos investidores foi de uma posição de força no processo de transição energética, com o maior foco em produção de energia de fontes renováveis. 

E a empresa deixa esse ponto bastante claro no prospecto de sua oferta. Ela destaca no documento que 80% dos recursos que entrarem no caixa com o IPO irão para a construção de novas plantas para a expansão da produção de produtos renováveis e capacidade de comercialização. Hoje, a Cosan é a maior produtora no mundo de etanol de cana-de-açúcar.

Nessa jornada para aumentar seu cardápio de produtos mais sustentáveis, o principal foco é o etanol de segunda geração (E2G), que é uma tecnologia capaz de aumentar a produção em 50%, mas usando a mesma área de plantio. Esse tipo de etanol é produzido a partir do bagaço e da palha da cana. A demanda pelo produto com essa tecnologia tem crescido principalmente em razão da redução das emissões de gases de efeito estufa. 

“Acreditamos que a companhia está muito bem posicionada para aproveitar o crescimento do mercado de renováveis e deve ampliar sua liderança mundial ao implementar esses projetos, que trarão melhores margens operacionais e um caminho de crescimento sustentável”, comentam os analistas da casa de análise Eleven, Felipe Ruppenthal e Lucas Chaves

Apesar do olhar positivo, eles destacam que um resultado nesse processo deve ser esperado para o longo prazo. Os analistas apontam, ainda, que serão necessários pesados investimentos em fábricas e uma execução acelerada se quiserem alcançar o objetivo de 20 plantas de etanol de segunda geração em 2032 – hoje, tem apenas uma. 

Na ofeta foram os coordenadores o BTG Pactual, como líder, ao lado do Citi, Banf of America e Credit Suisse. Também ajudaram na operação Bradesco BBI, JPMorgan, Santander, XP, HSBC, Safra e Scotiabank.

Distribuição de combustíveis

Em distribuição de combustíveis, o trabalho tem sido na direção de se posicionar melhor no mercado, que é bastante competitivo no Brasil. Conforme o último boletim de abastecimento, da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a BR Distribuidora tem cerca de 23% de participação, seguida de perto pela Raízen, licenciada da marca Shell (20,5%), e pela Ipiranga (19,3%). 

O licenciamento da marca foi renovado neste ano e o novo contrato tem um prazo mínimo de 13 anos, podendo ser renovado.

A casa de análise Suno apontou a Raízen como a líder mundial do mercado de biocombustíveis, o que a torna, nesse contexto, protagonista em um contexto mundial de transição energética. 

“Acreditamos que a empresa está bem-posicionada para continuar crescendo e aproveitando o bom momento do seu segmento. Além de uma excelente infraestrutura operacional, ela conta com executivos alinhados com os interesses da operação”, conforme o documento enviado a clientes e assinado pelos analistas João Daronco, Lincon Broedel e Tiago Reis

Apesar da leitura positiva, por conta do preço da empresa na oferta, aconselhou seus clientes a ficarem de fora da oferta.

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