Sócio da PT não quita dívida no prazo e negocia parcelamento em seis anos

Com proposta, que deve ser levada nesta quarta para a avaliação dos acionistas da Portugal Telecom, fatia acionária da tele portuguesa na ‘Nova Oi’ deve ser reduzida para 25,8%

Fernando Nakagawa, enviado especial, e Mônica Scaramuzzo, O Estado de S. Paulo

15 de julho de 2014 | 21h34

LISBOA - Diante da crise financeira instalada no Grupo Espírito Santo, as negociações entre os acionistas da Oi e da Portugal Telecom se concentravam nesta terça-feira na participação que a operadora portuguesa terá na CorpCo, empresa resultante da fusão entre as duas companhias. A holding do grupo português deve pagar a dívida com a PT no prazo de até seis anos, em parcelas anuais, informou a coluna de Sonia Racy. Assim, a fatia acionária da PT na fusão com a Oi ficaria em 25,8%, segundo fontes.

Nesta terça, por volta da meia-noite, a emissora de TV SIC Notícias informou que a Rioforte, holding do Grupo Espírito Santo, não quitou a dívida de € 847 milhões com a Portugal Telecom. De acordo com o canal de TV, a PT não recebeu o pagamento até a meia-noite, como previsto. Isso, no entanto, ainda não poderia ser considerado um calote, já que, segundo contrato, o descumprimento do pagamento só gera inadimplência após 30 dias de atraso. 

Até a noite desta terça-feira, Oi e Portugal Telecom ainda não tinham batido o martelo sobre a participação dos portugueses na nova companhia. Fontes afirmaram ao Estado que as conversas avançariam pela madrugada para que, nesta quarta-feira, uma proposta fosse submetida aos acionistas da PT.

As negociações se intensificaram no fim de semana, quando os principais acionistas brasileiros da Oi - Andrade Gutierrez e La Fonte (da família Jereissati) - foram a Lisboa para acompanhar o desdobramento da crise da família Espírito Santo. A proposta que foi colocada à mesa era de que a PT reduzisse em 45% sua participação na Oi. O cálculo foi feito com base no valor total de 897 milhões que a Rioforte deve à Portugal Telecom. Esse valor representa 45% do que a PT tem na “nova Oi”. Na ponta do lápis, a fatia cairia para 21%. Pela proposta, a PT poderá recompor sua participação com o pagamento das parcelas da dívida.

Uma fonte que acompanhou a negociação no grupo de acionistas portugueses disse ao Estado que os brasileiros insistiram muito para que a PT tenha uma fatia menor na nova companhia, com o argumento de que o “mau investimento” era desconhecido no Brasil e que a transação reduziu de forma relevante o valor de mercado da PT. Os acionistas portugueses, porém, reagiram. Eles defendem que o investimento não era desconhecido porque, o balanço da Portugal Telecom de 2013, já mostrava posição financeira de cerca de € 750 milhões em papéis da Espírito Santo International (ESI). Em fevereiro de 2014, esse investimento passou para títulos emitidos por outra empresa da mesma holding, a Rioforte. Na ocasião, o montante subiu para os € 897 milhões. 

Brasileiros se agarraram a essa troca de emissor em fevereiro como argumento para mostrar que desconheciam a operação. Portugueses, no entanto, defendiam que o risco do emissor - o GES - é o mesmo, seja na ESI ou na Rioforte. Os brasileiros, segundo fontes, dizem que essa operação pode ser interpretada como fraude, culminando com processos judiciais, inclusive contra pessoas físicas.

Gestão. As negociações não se restringem à fatia da PT na CorpCo. A gestão da nova companhia também está em questão. Segundo fontes, os brasileiros defendem menos assentos para portugueses no conselho de administração e uma presença menor de executivos da PT. 

O grupo português ofereceu aos sócios e credores a venda de seus ativos, como forma de reduzir o endividamento. A dívida do grupo, segundo fontes de mercado, chega a € 5 bilhões, envolvendo todas as empresas. A holding tem investimentos em diversos setores - da hotelaria à energia. Uma das subsidiárias que já estão em negociação é a rede de hotéis Tivoli, com unidades em Portugal e no Brasil.

Fontes afirmaram que os ativos do GES no Brasil também devem ser colocados à venda. Entre os negócios, o grupo detém 21% da Monteiro Aranha, empresa que é acionista da Klabin e do Grupo Ultra. A Espírito Santo Property Brasil tem dois shoppings em desenvolvimento no Guarujá (SP) e em Florianópolis (SC). O grupo também produz arroz e soja no Tocantins e laranja e limão siciliano no interior paulista. 

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