Soja: BM&F ganha liquidez com novo modelo de contrato futuro

São Paulo, 8 - O novo contrato futuro de soja da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) representa uma nova tentativa para melhorar a liquidez do mercado. Lançado no final de agosto com novo formato, a média diária de negociação do contrato aumentou mais de 10 vezes em setembro. A média de agosto foi de 3 contratos/dia, contra 33 em setembro. Em todo o mês de agosto foram negociados 76 contratos futuros de soja na BM&F, em todos os vencimentos. Em setembro o volume mensal foi de 732 contratos. Em outubro o volume negociado foi de 610 contratos, e no final da semana passada havia mais de 1 mil contratos em aberto, segundo o diretor de Mercados Agrícolas da bolsa, Félix Schouchana. O volume ainda é pequeno, considerando o conceito norte-americano segundo o qual um contrato é líquido se tiver pelo menos 5 mil posições em aberto e marcar negociação diária superior a 1 mil contratos. "Nossa meta é negociar um volume de futuros equivalente a toda a safra anual brasileira", diz Schouchana. A Bolsa de Chicago (CBOT), em contraste, tem cerca de 500 mil contratos em aberto. A principal mudança no contrato futuro de soja da BM&F diz respeito ao tamanho. Antes o contrato correspondia a 100 toneladas, volume reduzido para 27 toneladas. Até agosto os futuros eram negociados em dólares por tonelada, enquanto o novo contrato é negociado em dólares por saca. "O menor tamanho deu agilidade ao contrato, pois permitiu que clientes de menor porte pudessem experimentar o mercado de futuros", explica o diretor. A reforma do contrato coincide com um momento considerado propício por Schouchana, em virtude da fraca fixação antecipada de preços relativos à safra nova (2004/05). "Os preços futuros da safra não estão sendo fixados diretamente entre comprador e vendedor, como ocorreu em anos anteriores, por uma série de razões. O contrato da BM&F pode ser uma alternativa", ressalta. Os futuros da soja já tiveram dias de melhor liquidez na BM&F. Em 1998 e 99 o volume anual ficou entre 11,1 e 11,9 mil contratos. Até 2002 os contratos tinham liquidação física em Ponta Grossa, e havia a possibilidade de liquidação financeira com base no índice Esalq para o preço nacional da soja. Em 2001 o volume anual caiu para 83 contratos, e em 2002 para 440. Em 2002 houve a primeira reforma importante no modelo do contrato, com mudança do local de liquidação física saindo de Ponta Grossa para o porto de Paranaguá. Em 2003, o volume anual foi a 2,5 mil contratos, e este ano soma 1,35 mil contratos entre janeiro e outubro. "Temos interesse de compra nos futuros da BM&F. Faltam vendedores. As cooperativas poderiam oferecer o volume necessário na ponta vendedora para elevar a liquidez do contrato", avalia Schouchana. A BM&F estuda ainda um acordo de operação conjunta com a Bolsa de Comércio de Rosário (Rofex), na Argentina, com o objetivo de formatar um modo de operação conjunta de futuros do grão (BM&F), farelo e óleo (Rofex), em pregões simultâneos nas duas bolsas. "A idéia é criar um contrato binacional para o grão, com liquidação física em Paranaguá. Caso o comprador externo queria receber o produto num porto argentino, haverá um diferencial de preço correspondente ao valor do frete entre Paranaguá e os pontos de embarque na Argentina. E vice-versa para os produtos, caso sejam negociados em Rosário para entrega em porto brasileiros", explica. Schouchana lembra que o contrato futuro é FOB, livre de impostos em ambos os países, sem necessidade de adequação das respectivas legislações tributárias. "Falta organizar os contratos, e a aprovação das autoridades daqui e de lá. Existe a possibilidade de lançamento dos contratos binacionais em 2005", conclui.

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