Soja: CBOT prepara lançamento de contrato brasileiro para maio

São Paulo, 26 - A Chicago Board of Trade (CBOT), maior bolsa de grãos e oleaginosas do mundo, prepara o lançamento - em maio - de contratos brasileiros de soja e farelo de soja. A informação é de Nikolaus Bock, diretor de commodities da corretora Goldenberg, Hehmeyer & Co., que esteve em São Paulo para discutir os detalhes dos contratos. Os contratos permitirão ao entrega de soja e farelo nos portos de Paranaguá e Santos, que se tornarão os primeiros pontos de entrega desses produtos fora dos Estados Unidos em 150 anos de história da bolsa. "É uma mudança histórica, que reflete a crescente importância da América do Sul no mercado mundial de soja", afirmou Bock, que disse estar representando a CBOT no desenvolvimento dos novos contratos. A produção sul-americana de soja disparou na última década. Juntos, Brasil e Argentina produzem mais soja que os Estados Unidos e a produção brasileira deve superar a americana nos próximos anos. Bock afirmou que a bolsa está correndo contra o relógio para ter o contrato pronto até maio. Ele permitirá que produtores do Brasil e compradores da Europa e Ásia tenham uma melhor proteção contra as oscilações de preço regionais. Hoje, estes participantes do mercado têm que usar o contrato tradicional da CBOT, que reflete o cenário de oferta e demanda dos Estados Unidos. O novo contrato terá preço em dólares por 5 mil bushels. A entrega será FOB em Santos ou Paranaguá e o certificado de embarque será usado como prova de entrega. Os vencimentos serão os mesmos do atual contrato da CBOT: janeiro, março, maio, julho, agosto, setembro e novembro. A compensação e a liquidação será feita em Chicago, mas a CBOT tem conversado com a Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) sobre a possibilidade de transferir as operações de compensação para a bolsa paulista. Isso faria com que os produtores brasileiros tivessem maior acesso aos contratos. A BM&F já tem um contrato de soja, mas sua liquidez é limitada. A maior pressão para a criação de um contrato brasileiro foi feita por importadores europeus, que demandam uma melhor proteção de preço para suas compras, revela Bock. "Vamos começar com soja, mas os europeus querem farelo também". Os importadores chineses também mostraram grande interesse pelos contratos. A China é o maior comprador de soja do Brasil. Bock acrescentou ainda que o contrato não vai fazer distinção entre soja convencional ou transgênica. A CBOT vai montar uma equipe de marketing no Brasil em dezembro para informar e encorajar os produtores brasileiros a fazer hedge de sua produção, algo que só os grandes produtores atualmente fazem. As informações são da Dow Jones.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.