Soja: custo de produção aumenta 21,57% no RS na safra 2004/05

Porto Alegre, 24 - O custo de produção de soja deve ficar 21,57% mais alto no Rio Grande do Sul na safra 2004/05, em comparação com a anterior, chegando a R$ 29,59 por saca de 60 quilos, pressionado principalmente pelos gastos com fertilizantes e máquinas. Para produzir um hectare, o produtor deverá gastar R$ 1,183 mil. O cálculo foi feito pela Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (FeoAgro), que divulgou hoje suas estimativas de custos para a próxima colheita. O levantamento considera dados de quase 40 cooperativas, que cobrem 70% da área produtiva de grãos no Estado. Considerando o preço de mercado de R$ 31,68 pela saca de soja em 1º de outubro, data que serviu de base para o levantamento, o produtor teria que colher 37,36 sacas (2.241 quilos) por hectare para cobrir todas os gastos com a lavoura. A FecoAgro espera rendimento de 2.500 quilos por hectare na produção da próxima safra, ante os 1.396 Kg/ha do período 2003/04, frustrado pela estiagem no verão. Entre os principais insumos da lavoura de soja, os maiores aumentos de preços foram constatados em fertilizantes (21,54%) e máquinas agrícolas (24,81%). A mão-de-obra subiu 12,21%, o óleo diesel, 12,24%, e os defensivos, 11,62%. Em comparação à soja, o ritmo de aumento de custos é menor nas lavouras de milho e trigo, conforme a pesquisa realizada pela FecoAgro. Em contrapartida, os preços de mercado não cobrem os custos e eliminam a margem de renda dos produtores. No milho, a entidade constatou aumento de 16,63% no custo de produção da safra 2004/05 (R$ 17,04 por saca de 60 quilos). Para produzir um hectare, o agricultor precisará de R$ 1,363 mil. O produtor precisaria colher 80,22 sacas de milho para cobrir todas as despesas, com base no preço de mercado de R$ 17,00. A produtividade média esperada é de 80 sacas por hectare, o que produziria uma margem líquida (receita total menos custo total de produção) negativa de 0,23%, indicou a FecoAgro. Entre os principais insumos da lavoura de milho, a uréia foi o componente que mais subiu (35,21%) entre 2003 e 2004. Também tiveram aumentos expressivos as máquinas agrícolas (24,81%) e defensivos (23,02%). Para o trigo, o levantamento indicou custo de R$ 29,87 na safra 2004 (+15,73%). A exemplo da lavoura de milho, a uréia também onerou os produtores de trigo, com o aumento de 35%. Máquinas agrícolas, defensivos e fertilizantes (+20,83%) também tiveram impacto significativo nos custos. Com estes aumentos, a produção de um hectare foi calculada em R$ 1,194 mil. O produtor precisaria obter 61,52 sacas de trigo para cobrir todos os gastos, com base no preço de mercado de R$ 19,42 pela saca. Com isso, a margem líquida do produtor ficaria negativa em 34,99%. Se for usado o preço dos contratos de opção (R$ 24,50), o agricultor precisaria de 48,76 sacas para cobrir os custos. O rendimento estimado é de 40 sacas por hectare. "A tendência é o produtor terminar a próxima safra descapitalizado", avaliou o presidente da FecoAgro, Rui Polidoro Pinto, ao comentar o cenário de aumento nos custos e queda nos preços das principais commodities agrícolas. Conforme a entidade, a variação dos custos e dos preços dos produtos está produzindo uma perda de renda de 51% na soja, 13% no milho e 25% no trigo entre outubro de 2003 e o mesmo mês deste ano.

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