Soja: produtores formalizam associação do Mercosul

Esteio, 3 - A Federação das Associações Rurais do Mercosul (Farm) formalizou hoje a criação do Fórum Mercosul dos Produtores de Soja, durante reunião na 27ª Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários (Expointer), em Esteio (RS). No novo organismo, as entidades do setor querem discutir o crescimento da cultura no bloco e o aumento dos custos de produção, descreveu o presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, uma entidades fundadoras. O protocolo de criação do fórum indica, de forma genérica, "a necessidade de ação ponderada ante o risco de desequilíbrio na equação oferta e demanda" e ressalta que os quatro países juntos produzem mais soja (110 milhões de toneladas) que os Estados Unidos (80 milhões de toneladas). A partir desta força combinada, as entidades indicaram que pretendem oferecer um contraponto à referência de preço da soja no mercado internacional, que está concentrada na Bolsa de Chicago. A primeira reunião do grupo será realizada em Montevidéu, entre os dias 10 e 14 de outubro. As bolsas de mercadorias do Brasil, Buenos Aires e Rosário começaram contatos em busca de um esboço para o preço da oleaginosa, disse Sperotto, sem dar detalhes da articulação. "Imagino que o final deste processo seja uma ação comercial coletiva", avaliou o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que elogiou a criação do fórum. Para o ministro, o organismo "dá uma dimensão prática e real para o grande sonho do Mercosul" e organiza, na área agrícola, pela primeira vez um esforço que visa não apenas o comércio interno do bloco, mas também as exportações. Rodrigues lembrou que, quando presidiu a Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), já havia proposto a criação de uma trading privada dos países do Mercosul, visando o mercado externo. Ao comentar a possibilidade de o fórum se tornar, no futuro, o equivalente a uma Organização dos Países Produtores e Exportadores de Petróleo (Opep) da soja, o ministro disse que esta não é a intenção. "O objetivo é ter uma articulação maior para que não haja uma concorrência entre os países, o que acaba baixando os preços lá fora", afirmou. Durante a abertura do Fórum de Sanidade Animal - cooperação entre fronteiras, na Expointer, Rodrigues citou um estudo elaborado pela Bunge sobre a expansão do cultivo de grãos no mundo. O ministro disse que o Brasil precisará produzir mais 60 milhões de toneladas de grãos nos próximos dez anos, de acordo com os dados deste trabalho. Para conseguir isso, o País teria que incorporar 2 milhões de hectares à área agrícola a cada ano. Nos últimos dois anos, mais 6 milhões de hectares passaram a ser cultivados, afirmou Rodrigues. Na expansão da área agrícola, 30 milhões de hectares que atualmente são ocupados por pastagens devem migrar para os grãos, acrescentou o ministro. O presidente do Uruguai, Jorge Batlle, que também participou da reunião de criação do Fórum Mercosul dos produtores de Soja, defendeu a abertura do bloco para o mercado externo e previu que a pecuária vai perder espaço para a soja também em seu país. "A vaca vai se transformar em artigo de delicatessen", disse Batlle. O ministro da Agricultura do Uruguai, Martin Aguirrezabala, que acompanhou o encontro, disse que os produtores uruguaios produzem 500 mil toneladas de soja, mas há expectativa de aumentar a produção na próxima safra.

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