Soja: reconhecimento da China como economia livre preocupa setor

Piracicaba, 16 - O presidente da Associação Brasileira da Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Carlo Lovatelli, disse hoje que o fato de o governo brasileiro reconhecer a China como uma economia de mercado vai impedir que o País tome medidas retaliatórias contra qualquer tipo de embargo, como ocorreu com a soja brasileira no primeiro semestre deste ano. Lovatelli lembra que o embargo chinês causou prejuízo de US$ 400 milhões ao Brasil, valor que pode chegar a US$ 1 bilhão se considerada a queda das cotações da commodity na Bolsa de Chicago. Ele observou que a partir de agora "qualquer medida contra a China terá que ser discutida no fórum da Organização Mundial de Comércio, o que fica muito mais difícil, pois é uma briga para anos". O presidente da Abiove disse ainda que a visita do presidente chinês ao Brasil na semana passada não trouxe qualquer tipo de resultado concreto em relação à regularização do comércio da soja entre os dois países. "Eu não vi nada preto no branco, só promessas e eu estou cansado disto. Na hora H, de acordo com a conveniência do momento, as regras mudam de forma unilateral" Lovatelli disse considerar a China um importante parceiro e afirmou estar disposto a continuar as negociações com o país. Ele afirmou que o setor privado brasileiro, argentino e norte-americano voltou a conversar para elaborar uma segunda carta pan-americana, pedindo que a China definida as regras de comércio para a soja.

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