Soja transgênica: governo autoriza glifosato para pós emergência

Brasília, 9 - O uso do herbicida glifosato nas lavouras de soja transgênica depois que as plantas nasceram - na fase chamada de pós-emergência - foi autorizado hoje pelo Ministério da Agricultura. Até agora, o governo só autorizava o uso do herbicida, que destrói ervas daninhas, nos plantios de soja antes da planta nascer. No caso da soja geneticamente modificada, havia necessidade de pulverizações com glifosato na pós-emergência, aplicação que foi regularizada hoje, com o registro do produto pelo Ministério da Agricultura. As informações foram divulgadas pela assessoria de imprensa da pasta. "É um processo que vinha se arrastando há meses no Comitê Técnico de Assessoramento de Agrotóxicos (CTA), formado pelos ministérios da Agricultura, da Saúde, e do Meio Ambiente. Era uma situação complicada: os agricultores podiam plantar soja transgênica, mas não estavam autorizados a usar o glifosato no extermínio das plantas daninhas", explicou o diretor do Departamento de Defesa e Inspeção Vegetal, Girabis Ramos. Com a autorização para o uso do glifosato, os produtores de soja geneticamente modificada estarão totalmente na legalidade, completou o diretor. Segundo ele, os agricultores amparados pela Medida Provisória 223/2004 (que autoriza o plantio e a comercialização da soja transgênica) poderão utilizar o princípio ativo para controlar as ervas daninhas em suas lavouras, quando recomendado por um agrônomo por meio de receita. A MP foi aprovado hoje na Câmara dos Deputados. Ele explicou que o glifosato foi avaliado pelos técnicos do ministério criteriosamente sobre os aspectos técnicos agronômicos, de impactos ambientais, toxicologia, ecotoxicologia e de resíduos em grãos de soja. "O limite máximo de resíduos deste herbicida em grãos de soja foi determinado em 10 partes por milhão, sendo mais restritivo que o limite máximo estipulado internacionalmente adotado por outros países produtores da oleaginosa", ressaltou. Ao autorizar o uso do glifosato, o Ministério da Agricultura estabeleceu o período de carência em 56 dias, considerado pelos técnicos como intervalo de segurança. Assim, o produtor só deve colher a soja 56 dias após a aplicação do herbicida, explicou Ramos.

Agencia Estado,

09 de dezembro de 2004 | 19h42

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