Solução unilateral para resgatar Grécia equivaleria a calote, diz IFF

Segundo o grupo que está representando os bancos nas negociações sobre a dívida grega, existem 'limites' em relação ao resgate da Grécia

Agência Estado,

24 de outubro de 2011 | 15h52

Um acordo para solucionar a crise da Europa que não envolva uma contribuição voluntária do setor privado na diminuição da dívida da Grécia poderia causar prejuízos ao crescimento e ao mercado de trabalho da Europa, afirmou Charles Dallara, diretor-gerente do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), grupo que está representando os bancos nas negociações sobre a dívida grega.

Segundo Dallara, existem "limites" em relação ao que pode ser considerada uma participação voluntária dos bancos no resgate da Grécia. "Qualquer abordagem que não seja baseada em discussões cooperativas e envolva ações unilaterais seria equivalente a um default e isolaria a economia grega dos mercados internacionais de capital por muitos anos, além de impor um ônus severo sobre a população da Grécia e sobre os contribuintes europeus, que já fizeram muito para ajudar o país."

"Isso também teria efeitos severos de contágio que custariam muito às economias da Europa e do mundo em termos de emprego e crescimento", afirmou Dallara num comunicado, acrescentando que ainda estava em Bruxelas negociando com representantes da zona do euro.

Dallara disse que o IIF continua em contato constante com as autoridades gregas e que os bancos estão comprometidos em buscar soluções construtivas para os problemas do país.

Haircut

Um novo desconto (haircut) na dívida da Grécia envolverá toda a dívida importante do país com o setor privado até 2035, informou uma fonte do governo grego nesta segunda-feira. "Toda a dívida importante em mãos privadas é de cerca de 200 bilhões de euros", afirmou o funcionário.

A fonte disse esperar que os credores internacionais da Grécia - a União Europeia, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE) - cheguem a uma decisão sobre um novo desconto no encontro de líderes da UE na quarta-feira. Segundo ele, o desconto não foi definido, mas será "estritamente voluntário" e tem o apoio do BCE.

"Se o BCE não concordar, não podemos prosseguir com nada", notou. O funcionário disse que os bancos gregos têm garantia de que serão recapitalizados e os bancos privados permanecerão em mãos privadas.

Pessoas familiarizadas com as reuniões em Bruxelas disseram à Dow Jones que o haircut deve ficar entre 40% e 60% e que um compromisso deveria ser alcançado em cerca de 50%.

Os credores privados da Grécia concordaram com um haircut de 21% do atual valor líquido de seus títulos em julho, mas desde então a economia grega se deteriorou e a dívida do país mostrou-se insustentável sem um desconto maior na dívida. O funcionário afirmou que a Grécia continua a falar com seus credores da dívida soberana, a fim de chegar a uma ampliação do período de renegociação de seu primeiro pacote de ajuda, de 110 bilhões de euros, e também a uma taxa de juros menor.

As informações são da Dow Jones. (Gabriel Bueno e Gustavo Nicoletta)

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