Soro de leite: de resíduo a alimento

Programa transforma em pó o subproduto, bastante requisitado por indústrias de alimentos, de fármacos e pet

Estadão,

10 de outubro de 2007 | 12h32

O destino de 3,2 bilhões de litros de soro de leite, resultantes da produção anual de queijos em Minas Gerais, pode deixar de ser um problema, graças à tecnologia de secagem do soro, iniciada no Estado este ano. O subproduto, altamente poluente, até pouco tempo lançado nos rios e, em pequena quantidade, destinado à alimentação de animais , equivale a 28 mil toneladas de proteína de alto valor biológico, segundo Luiz Afonso Vaz de Oliveira, coordenador do Programa Minas Leite, da Secretaria da Agricultura. "A demanda brasileira de soro em pó é alta", diz Oliveira. "Embora as empresas do setor tenham preconceito de informar que usam soro nos produtos formulados", continua ele, acrescentando, porém, que a imagem negativa do produto tem se revertido.  Nos países desenvolvidos, segundo ele, o aproveitamento do soro é de 100%. As importações brasileiras de soro em pó - produto usado pelas indústrias de bebidas lácteas, panificação, biscoitos, fármacos e rações, principalmente na linha pet - equivalem a US$ 33 milhões anuais, diz Oliveira. Alternativa O coordenador do Minas Leite considera a produção do soro em pó uma alternativa econômica, de emprego e renda para o produtor, além de reduzir o problema ambiental. Ele destaca o efeito poluidor do soro do leite, citando estudo da FAO, de 1974, segundo o qual o despejo de 250 mil litros de soro no ambiente equivale à poluição causada por uma cidade de 50 mil habitantes. "Daí o incentivo à criação de indústrias para a secagem do soro." O Minas Leite foi criado em 2005 e se concentra em três áreas: qualificação gerencial e técnica em sistemas produtivos de pecuária de leite em Minas (79,4% dos produtores de leite do Estado são da agricultura familiar); criação de um pólo de excelência em leite e derivados, no Instituto de Laticínios Cândido Tostes, em Juiz de Fora, reunindo Embrapa, Epamig, universidades e o próprio instituto, para a formação de mão-de-obra e o desenvolvimento de novos produtos, e a adequação ambiental dos laticínios. "Aí entra o destino final do soro, antes despejado nos mananciais, poluindo-os", destaca e acrescenta que dos 7,2 bilhões de litros de leite produzidos por ano em Minas, 60% destinam-se à produção de queijo. INFORMAÇÕES:Minas Leite, tel. (0--31) 3215-6565; Montelac, tel. (0--35) 3363-9100

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