Sport Strategy coloca esporte no mundo dos negócios

A Copa do Mundo de 2014 no País e os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio, colocaram o Brasil no centro das atenções não apenas no mundo esportivo, mas também no de negócios. Acreditando na oportunidade que esses dois dos maiores eventos esportivos do planeta trarão ao País, duas empresas nacionais - uma de consultoria e estratégia para esporte, a BS+B, e a holding de comunicação InvestMark - juntaram suas cabeças para criar a Sport Strategy, novo empreendimento que pretende ser referência para marcas que buscam estratégias para entrar na onda esportiva que deve tomar conta das discussões e de projetos no País nos próximos seis anos.

WLADIMIR D'ANDRADE, Agencia Estado

24 de agosto de 2010 | 16h07

O anúncio oficial foi feito hoje, em entrevista à imprensa, no auditório do Museu do Futebol, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, mas a ideia começou há um ano e meio e, segundo os sócios, surgiu da necessidade alegada pelas multinacionais que planejam investir no Brasil de pensar estratégias para associá-las ao esporte. "O Brasil agora é palco e cenário", afirma Alexandre Gama, da InvestMark e um dos sócios da Sport Strategy. A Sport Strategy une os clientes da Neogama/BBH, empresa de publicidade da holding, com a experiência da BS+B.

Na entrevista, ele contou que presidentes de grandes empresas têm afirmado que o País é a "bola da vez" e que as multinacionais estão já empenhadas em planejar negócios em território brasileiro de olho na Copa e na Olimpíada. "Quer dizer, o esporte já está no topo do organograma das empresas", afirmou ele, sem revelar nomes. "É impressionante como, assim que colocamos a ideia na mesa, passamos a ser prospectados. É um sinal do aquecimento do mercado atual", completa. E segundo Gama, a diferença do novo empreendimento é a maneira de colocar o esporte no mundo dos negócios.

Gama explica que hoje grande parte dos negócios na área se limita a contratos de patrocínios e compra de placas nos eventos esportivos. No entanto, o publicitário afirma que a questão que a Sport Strategy quer implantar é: "Como o esporte pode participar da empresa?" Isso significa pensar a colocação da marca no cenário esportivo estrategicamente, o que, diz, no máximo "três companhias atuam dessa maneira" atualmente no setor. "Passou o evento, a empresa deixa o esporte de lado. Não pensa em aprofundar e construir um legado. E isso é ruim para ela e para o esporte em si."

Valores

De acordo com os sócios do novo empreendimento, o esporte vai além de colar uma marca num atleta ou numa competição. Com ele, por exemplo, uma multinacional consegue demonstrar conceitos e valores para o consumidor. Ou mesmo motivar o pessoal interno. É esse nível de aprofundamento dos investimentos que a nova empresa pretende atuar junto às companhias.

O especialista em marketing esportivo, dono da BS+B e o agora presidente da Sport Strategy, José Carlos Brunoro, lembra os investimentos em categorias de base das modalidades esportivas, e não apenas nas suas estrelas, para ilustrar o conceito desse pensamento estratégico. "Sempre estimulo que os patrocínios no futebol cheguem também às categorias de base, para o desenvolvimento constante do esporte, que é nossa matéria-prima. Toda arte precisa do seu artista." A referência no futebol não é surpresa. Brunoro esteve à frente da Parmalat na célebre parceria com o Palmeiras nos anos 90.

Porém, de acordo com ele, o potencial não se limita ao futebol ou às mais famosas modalidades esportivas. "Num País de 180 milhões de habitantes, o nicho de qualquer esporte desconhecido pode chegar a 5, 10 milhões de pessoas. Isso é muito mais que em alguns países europeus", afirma.

Inclusão social

Marcelo Dória, que com Brunoro à frente da Sport Strategy assume a presidência da BS+B, vai além. Para ele, o esporte tem muito mais a oferecer para o País. "É uma ferramenta de inclusão social. Vemos as empresas investindo em atletas já consagrados. Agora queremos mostrar como investir no jovem que pode ser a estrela do futuro", diz. Gama complementa: "O Brasil pode ser uma nação olímpica. Aliás, precisa ser. Nós temos uma série de problemas em que o esporte pode ser uma ferramenta para a solução. Essa é uma necessidade."

Os seis sócios da Sport Strategy - que além de Gama, Brunoro e Dória tem os empresários Eduardo Rezende, Geraldo Rocha Azevedo e Roberto Mesquita - destacam ainda o fato da empresa ser composta apenas por profissionais brasileiros. E negam que a exaltação seja uma questão ufanista. "Dois estrangeiros pensando em projetos para brasileiros têm mais chance de erro do que players totalmente nacionais", afirma Gama.

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