Spread bancário cai ao menor patamar desde dezembro de 2007

Diferença entre custo de captação e juro cobrado nos empréstimos para empresas e consumidores segue em queda e atinge 23,2 pontos porcentuais

Mariana Congo, do Economia & Negócios ,

26 de julho de 2012 | 20h03

Em junho, o spread bancário médio das operações realizadas para pessoas jurídica e física foi de 23,2 pontos porcentuais, ante 24,7 em maio. Desde o início de 2012, o spread acumula queda de 3,7 pontos porcentuais.

O spread bancário é a diferença entre o juro que uma instituição financeira paga ao captar dinheiro e a taxa que cobra quando empresta a um consumidor ou a uma empresa.

O valor do spread bancário apurado em junho é o menor desde dezembro de 2007, quando estava no patamar de 22,34 pontos porcentuais. Os dados foram divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira. O cálculo do spread do BC é feito a partir das taxas de juros médias cobradas nas operações de crédito livre (pré, pós-fixadas e flutuantes).

"A melhor analogia para explicar o spread é pensar em um supermercado. Ele compra os produtos dos fornecedores e depois vende para os clientes. A diferença entre o que ele paga pelos produtos e o preço de venda final seria o spread do supermercado", explica o professor do Departamento de Economia da Universidade de São Paulo (USP) Márcio Nakane.

No valor do spread, estão inclusos, por exemplo, os custos do banco (ou do supermercado, lembrando a analogia) com a administração da rede de atendimento, impostos, folha de pagamento, provisões, depósitos compulsórios, inadimplência, além do lucro.

Consumidor paga mais

Na pessoa física, o spread médio de junho foi de 28,5 pontos porcentuais. Esse número é resultado da diferença entre a média da taxa cobrada nos empréstimos (36,5% ao ano) e da taxa de captação do dinheiro pelo banco (8% ao ano). O spread de pessoa física acumula queda de 5,2 pontos porcentuais desde o início do ano.

Enquanto isso, o crédito para empresas teve spread médio de 15,9 pontos porcentuais em junho. O resultado considera a taxa de juros média cobrada na pessoa jurídica de 23,8% ao ano e o custo de captação do banco de 7,9% ao ano. O spread de pessoa jurídica acumula queda de 2 pontos porcentuais em 2012.

No cheque especial, modalidade de empréstimo ao consumidor com os juros mais altos dentre as avaliadas pelo BC no relatório, o spread é de 159,4 pontos porcentuais. Ou seja, enquanto o banco capta o dinheiro à taxa média de 8% de juros ao ano, cobra do consumidor juros de 167,1% ao ano no cheque especial.

Já para a compra de veículos, o spread é o menor da pessoa física: 12,7 pontos porcentuais, o que significa um juro médio de 20,7% ao ano.

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