Brittainy Newman/The New York Times
Brittainy Newman/The New York Times

Medo de demissões volta a dominar os funcionários de startups nos Estados Unidos

Desde o início do ano, ao menos 55 empresas anunciaram demissões ou até o fechamento, ante 25 no mesmo período de 2021

New York Times, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2022 | 05h00

Os profissionais de startups começaram 2022 esperando mais um ano com ofertas públicas iniciais fazendo jorrar dinheiro. Então, o mercado de ações despencou, a Rússia invadiu a Ucrânia, a inflação disparou e as taxas de juros subiram. E, em vez de abrir o capital, as startups começaram a cortar gastos e demitir funcionários – ao mesmo tempo, as pessoas também começaram a vender suas ações de startups.

O número de indivíduos e grupos tentando se desfazer de suas ações de startups dobrou no primeiro trimestre deste ano em comparação com o fim do ano passado, disse Phil Haslett, fundador da EquityZen, que ajuda empresas de capital privado e seus funcionários a vender suas ações. Os preços das ações de algumas startups de bilhões de dólares, conhecidas como “unicórnios”, caíram de 22% a 44% nos últimos meses, disse ele. “É a primeira retração contínua no mercado em dez anos”, afirmou.

Esse é um sinal de como o entusiasmo do dinheiro fácil do mundo das startups na última década desapareceu. A mudança foi rápida. Nos primeiros três meses do ano, o financiamento de risco nos EUA caiu 8% em relação ao ano anterior, para US$ 71 bilhões, segundo o PitchBook, que monitora o mercado de capital privado. Pelo menos 55 empresas de tecnologia anunciaram demissões ou fecharam as portas desde o início do ano, em comparação com 25 no mesmo período em 2021, de acordo com o site Layoffs.fyi, que acompanha as demissões. 

Em queda

Na semana passada, o Cameo (aplicativo que vende mensagens personalizadas gravadas por celebridades), a On Deck (empresa de serviços de carreira) e a MainStreet (startup de tecnologia financeira) demitiram pelo menos 20% de seus funcionários. A Fast, startup de pagamentos, e a Halcyon Health, prestadora de serviços de saúde online, fecharam abruptamente no mês passado. E a empresa de entrega de compras de supermercado Instacart, uma das startups mais valorizadas de sua geração, reduziu sua avaliação de US$ 40 bilhões, em 2021, para US$ 24 bilhões em março.

“Tudo o que foi verdade nos últimos dois anos, de repente, não é mais”, disse Mathias Schilling, investidor de risco da Headline. “O crescimento a qualquer preço já não é mais suficiente.”

O mercado de startups passou por momentos semelhantes de medo e pânico na última década. A cada vez, porém, ele voltava com tudo e batia recordes. Mas o que é diferente agora é um choque de forças econômicas preocupantes combinada com a sensação de que o comportamento descontrolado do mundo das startups dos últimos anos está precisando de um ajuste de contas. 

Tim Mayopoulos, presidente da Blend, startup de tecnologia financeira com foco em hipotecas, diz que o momento não é bom. “As empresas de alto crescimento com despesas maiores do que os lucros estão, sob o ponto de vista do sentimento do investidor, claramente em uma situação desfavorável./ TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

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