Steinbruch pede um pouco de flexibilização da política monetária

São Paulo, 25 - O presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamin Steinbruch, disse há pouco que falta "um pouco de coragem, de determinação" no governo Lula "para enfrentar de frente" e viabilizar o crescimento sustentado do País. Para que novos investimentos sejam feitos, o empresário defende que a política monetária seja "um pouco flexibilizada". "Flexibilizar não quer dizer afrouxar", emendou, explicando que não defende mudanças bruscas, mas sinalizações de que a trajetória de queda dos juros básicos será retomada neste ano. "Acho ruim a idéia de que os juros encerrarão o ano em 16%", disse à Agência Estado. "Não é com juro alto que vamos chegar a lugar nenhum", disse, refutando o que chamou "de premissas falsas", como possível fuga de capital e repique inflacionário, como justificativas para manter a Selic alta. Segundo ele, a inflação está crescendo "lentamente" e não é uma ameaça ao crescimento. Se o Banco Central tivesse reduzido os juros em 2 pp há três ou seis meses, ele acredita que o comportamento da inflação hoje seria o mesmo observado. Mesmo a alta do petróleo não deve ser um freio para a flexibilização dos juros, de acordo com Steinbruch que reconhece a tendência de alta do preço da commodity. "Isso é um fato que temos de conviver, mas não podemos nos intimidar." Steinbruch reafirmou a necessidade de redução da TJLP que hoje está em 9,75% ao ano. Nesta semana, ele fez esse pleito pessoalmente ao ministro do Planejamento, Guido Mantega. "Acho que essa discussão é obrigatória", disse, referindo-se à reunião do Conselho Monetário Nacional na próxima semana. Mesmo sabendo que esse assunto não está na pauta do encontro, o empresário insistiu que a discussão sobre a queda da TJLP será feita por ser vital. "Se for reduzida em 0,1 pp já é importante, porque indica uma tendência", disse. "O governo tem de reconhecer que não basta um bom desempenho estatístico, sem resolver o problema maior do País que a questão do desemprego e da renda", afirmou. "Custe o que custar isso tem de ser resolvido", acrescentou. Steinbruch disse que o governo Lula precisa definir uma prioridade e persegui-la. Hoje, segundo ele, a equipe econômica persegue a "estabilidade da economia", usando uma política monetária forte, mas que isso não é suficiente para quebrar o ciclo negativo que ocorre no Brasil. Steinbruch está na Fiesp, acompanhando o processo eletivo que escolherá o novo presidente da entidade. (Rita Tavares)

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