Stiglitz diz que Grécia tem sido alvo de ataque especulativo

Segundo prêmio Nobel de Economia, Grécia sofre pressões de investidores irracionais excitados sobre um país cuja situação fiscal está sob controle

Suzi Katzumata, da Agência Estado,

09 de fevereiro de 2010 | 17h56

O prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz minimizou as pressões do mercado da dívida enfrentadas pela Grécia, dizendo que elas refletem investidores irracionais "excessivamente excitados" sobre um país cuja situação fiscal está sob controle. Em uma entrevista para a Dow Jones, Stiglitz, que está atuando como um consultor informal para o governo da Grécia, disse que o primeiro-ministro George Papandreou adotou um plano inteligente para reduzir a dívida.

 

"Se alguém olhar para o programa (de dívida) que eles propuseram, é na verdade um programa bastante sério e abrangente que não tenta fazer grandes promessas", disse. "Não está realmente claro para mim que exista qualquer problema fundamental que não seja um ataque especulativo", acrescentou.

 

Diante de uma escalada nos custos de empréstimos, o governo socialista da Grécia apresentou planos para a Comissão Europeia que tem como objetivo reduzir o déficit orçamentário para 3% do PIB em 2012, de 12,7% registrado em 2009.

 

A União Europeia aprovou aqueles planos na semana passada, mas até agora vem resistindo intervir na Grécia no caso de uma intensificação da pressão financeira. Contudo, circularam informes nesta terça-feira de que os líderes da União Europeia estão trabalhando em algum tipo de medidas de apoio.

 

Esses informes suavizaram as tensões no mercado, reduzindo os custos de empréstimos da Grécia e o custo do seguro contra um possível default da dívida da Grécia. Contudo, o yield (taxa de retorno) dos bônus da Grécia de 10 anos permaneceram cerca de 3,15 pontos porcentuais acima dos yields dos Bunds da Alemanha.

 

Stiglitz disse que a UE deveria deixar explícita seu apoio para a Grécia e outros países, como a Espanha e Portugal, que também enfrentam pressões no mercado da dívida. Ele disse que a UE deve considerar algum tipo de fundo de contingência que possa ser acessada em caso de emergência por um estado membro.

 

"Eu penso que a zona do euro agora se deu conta que esta não é uma questão somente da Grécia. É uma questão para a UE por causa do que está em jogo na Espanha, Portugal e possivelmente... Outros membros", disse Stiglitz. "A Europa tem de fazer um compromisso de apoio àqueles países e existe uma variedade de formas nas quais isso pode ser feito", disse.

 

Stiglitz, que está em Londres para promover seu livro sobre a crise financeira e se reuniu na segunda-feira com o primeiro-ministro Gordon Brown, foi contundente em sua avaliação do recente comportamento dos investidores. Ele disse que os investidores do mercado da dívida "estão no processo de superexcitação" e ele descreveu os recentes movimentos dos preços no mercado de credit default swap market, que mede o custo para uma proteção contra um default, como "absurdos".

 

Contudo, ele disse que, com a compulsiva irracionalidade dos mercados da dívida, o fracasso dos líderes europeus em conter a pressão especulativa pode ter um preço elevado. "Infelizmente, eu já vi muito desse tipo de padrão para saber que eles podem atacar em qualquer lugar. Portanto, ninguém está imune", disse.

 

Os ataques de Stiglitz contra o comportamento dos investidores não são novos para um economista que há muitos anos critica as políticas ortodoxas do "Conselho de Washington" e as falhas da teoria de livre mercado. Contudo, o ex-economista-chefe do Banco Mundial ofereceu palavras gentis para outro tradicional alvo de suas críticas, o FMI.

 

Stiglitz disse que as condições mais relaxadas que o FMI está impondo em seus programas de empréstimos neste dias significam que a Grécia não deve fechar as portas para a opção de uma aproximação com o FMI, se necessário. "Eu penso que as coisas mudaram. Dez anos atrás minha visão seria bastante diferente", disse o economista.

 

O prêmio Nobel de Economia reconheceu que seu papel de consultoria ao governo da Grécia não tem sido central. Ele disse que ofereceu a Papandreou conselhos "estratégicos" sobre a política econômica antes da eleição de outubro, vencida por larga margem pelo partido socialista. Agora, Stiglitz disse que continua em contato com o líder grego e membros de sua equipe, mas que não tem tido um contato diário.

 

O economista admitiu que, em um momento que o governo da Grécia está tentando cortejar os investidores do mercado de bônus, provavelmente o melhor que ele pode fazer é manter distância. "É por isso que eu penso que é bom que ele (Papandreou) tenha uma grande variedade de pessoas envolvidas e não esteja dependendo de apenas uma perspectiva", disse. "Essa é uma ds marcas de um bom líder, penso eu." As informações são da Dow Jones.

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