Nasdaq - 25/10/2018
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Stone ‘definitivamente’ não está à venda, diz presidente da empresa

Em entrevista ao 'Estadão', Thiago Piau diz que pretende recuperar o negócio de crédito da empresa; operação se tornou uma preocupação de investidores e fez as ações desabarem 85% em um ano

Entrevista com

Thiago Piau, presidente da Stone

Matheus Piovesana e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2022 | 05h00

Apesar de ter perdido quase 85% de seu valor de mercado em um ano, a credenciadora Stone “definitivamente” não está à venda, afirma o presidente da empresa, Thiago Piau. Por outro lado, ele admite que a empresa pode avaliar eventuais parcerias na registradora Tag, como antecipou a Coluna do Broadcast

Piau comentou ainda os desafios pelos quais a empresa tem passado, como a queda livre de sua cotação na Bolsa - hoje, a empresa vale R$ 17 bilhões na Nasdaq, contra R$ 134 bilhões do início de 2021.

Para 2022, pensando em virar o jogo, a prioridade da Stone é lançar um produto de crédito “o mais rápido possível”, afirma o executivo.

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:

A Stone está à venda, como dizem algumas fontes de mercado?

Definitivamente a informação não procede. O banco mencionado nesses rumores (JP Morgan) é nosso parceiro de longa data e nos assessora em diversas transações, e o escritório de advogados (Galdino & Coelho) trabalha em uma causa específica de um cliente, sem qualquer relação com o que foi ventilado.

Qual foi o erro da Stone na concessão de crédito?

O principal fator de risco que considerávamos era o da materialização das garantias oferecidas pelos clientes - no caso, os recebíveis das vendas futuras de cartão. A pandemia e as medidas de distanciamento pressionaram os negócios dos lojistas, que passaram a buscar formas de não honrar seus empréstimos, promovendo a fuga dessas garantias. Além disso, o sistema de registro de recebíveis apresentou inúmeras falhas que permitiram essa fuga de garantias. Decidimos paralisar a operação de crédito em julho e refazer o produto.

A empresa será mais seletiva? Quais garantias exigirá?

Retomaremos o crédito em breve. Complementaremos os recebíveis de cartão com outras formas de garantia que o lojista e seus sócios. Com as mais de 100 mil operações que fizemos, aprendemos a distinguir melhor bons de maus pagadores. A velocidade com a qual escalaremos o produto também será outra: avançaremos de forma mais gradual.

Desde o pico, em 2021, a ação da Stone cai cerca de 85%. Como recuperar a confiança do mercado?

Temos trabalhado em três frentes principais: ajuste dos preços da Stone e do Ton (maquininha para microempreendedores) para restabelecer a rentabilidade, trabalhamos para que possamos voltar a oferecer o produto de crédito o mais rápido possível e simplificando a forma como gerimos o negócio. 

O mercado está subavaliando a Stone?

Há um fator exógeno à companhia - o aumento da taxa de juros, que afeta o valor de mercado de todos os ativos da economia. O efeito do aumento da taxa de juros é maior para empresas de crescimento, cujos fluxos de caixa se materializarão no futuro, como a Stone. 

A Stone reconheceu no trimestre passado que a Linx ainda gera perdas. Quando isso pode mudar?

O negócio de software tem margens menores que o de serviços financeiros. Isso impactou o nível de despesas da Stone a partir do terceiro trimestre de 2021. Por outro lado, é um negócio que nos permitirá conhecer de maneira mais profunda a vida do lojista, gerando informações que vão ser muito úteis para a concessão de crédito.

A integração da Linx atrasou? Qual foi o empecilho?

Apesar de a transação ter ocorrido em 2020, a autorização pelo Cade só ocorreu em julho de 2021. No segundo semestre de 2021, concluímos a migração da LinxPay para a Stone. Agora, nosso foco tem sido gerar ganhos de eficiência operacional na Linx e iniciar o projeto de uma plataforma única entre as empresas.

Se concretizada, a desaceleração da economia brasileira neste ano pode reduzir o crescimento da Stone?

Mesmo num cenário de desaceleração, as oportunidades na oferta de serviços financeiros por meio de tecnologia são numerosas. Um exemplo: tivemos, no biênio 2015-2016, a maior recessão da história, e o setor de pagamentos cresceu enormemente. A digitalização fará com que as pessoas substituam o dinheiro por meios de pagamentos eletrônicos, o que torna o setor resiliente às pioras do ciclo econômico. A oportunidade do crédito é enorme: por volta de 70% da modalidade de crédito de capital concedido a PJ (pessoa jurídica) é feito pelos cinco maiores bancos. Há ainda o enorme pool dos varejistas que não conseguem crédito. 

A Tag está à venda?

A Tag é um investimento que afirma nosso compromisso com o sistema de registro, de que é possível expandir e baratear o crédito. A empresa está operacional há oito meses - desde junho de 2021, quando a regulação entrou em vigor -, e temos visto relevante evolução nos últimos meses. A Tag não está à venda. Não sendo nosso core business, poderemos avaliar eventuais parcerias no futuro, se fizerem sentido estrategicamente.

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