Stone/ Divulgação
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Stone se separa em duas unidades após queda de 79% no lucro em 2021

Empresa diz que levou tempo para entender o comportamento da curva de juros e os impactos com os clientes; negócios serão separados em Serviços Financeiros e Softwares

Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2022 | 18h23

A Stone, empresa de maquininha de cartões, anunciou nesta quinta-feira, 17, lucro líquido ajustado de R$ 34 milhões no quatro trimestre de 2021, bem abaixo dos R$ 352 milhões do mesmo período de 2020. No acumulado do ano, o lucro foi de R$ 203 milhões, queda de 79%. Em um resultado classificado pelo comando da empresa como um "ponto de inflexão positivo", após um período tumultuado em 2021, com perdas fortes no crédito, a companhia também anunciou a divisão em duas unidades de negócios, uma de Serviços Financeiros e outra de Softwares (devido à compra da Linx), que terão resultados separados a partir do primeiro trimestre de 2022.

Entre outubro e dezembro, a Stone atraiu 378 mil novos clientes, encerrando 2021 com 1,8 milhão clientes ativos. Foi a maior adição de clientes da história da empresa. A receita da empresa no quarto trimestre chegou a R$ 1,9 bilhão, com expansão de 87% na comparação ao mesmo período de 2020. Foi o maior crescimento porcentual desde o terceiro trimestre de 2019. A maior parte desta expansão vem da operação com clientes pequenos e médios.

Já as margens continuaram sob pressão no quarto trimestre, comenta o CEO da Stone, Thiago Piau. Ele conta que a empresa acabou levando mais tempo para entender a dinâmica do comportamento da curva de juros e os impactos com os clientes. A Stone acabou só fazendo os reajustes nas taxas cobradas dos lojistas em novembro, enquanto alguns concorrentes começaram no segundo trimestre. "Isso nos deu pressão de margem no curto prazo".

Separação

A unidade de Serviços Financeiros da Sonte concentrará a operação da Stone e seus serviços, como crédito e banking. Já a divisão de Software vai ser formada pela Linx e as empresas adquiridas nos últimos anos. Caio Fiuza será o diretor operacional da unidade de Serviços e Gilsinei Hansen da unidade de Software.

Nesta última unidade, o objetivo é começar com a integração da Linx pelo portfólio da Stone. A meta é ter de 20% a 25% de margem Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização). "A penetração de clientes na Linx acelerou bastante nestes últimos dois trimestres", contou o executivo.

 Também houve uma mudança na estrutura de gestão, mais simplificada, segundo Piau. A Stone contratou nomes como o executivo Sandro Bassili, com vários anos de experiência no grupo AmBev, para a área de gente e pessoas, o empreendedor João Bernanrtt, para tecnologia (CIO), e Diego Salgado (ex-JPMorgan), que assume a tesouraria.

Crédito

No crédito, a Stone seguiu sem dar novas concessões de empréstimos no quarto trimestre, focada em desenvolver um novo produto, com mais garantias. Segundo Piau, a ideia é começar a testar este produto redesenhado entre o segundo e terceiro trimestre para em seguida começar em escala maior.

 As taxas de recuperação de créditos inadimplentes estão indo em linha com o esperado, segundo o executivo. A Stone recebeu R$ 430 milhões em fluxo de caixa da operação legada no quarto trimestre, dentro da expectativa. A parte de provisão e a taxa de inadimplência estão sob controles, disse Piau.

 Em janeiro, a Stone fez a venda de uma carteira, por R$ 12,3 milhões. A operação foi acima do valor que estava contabilizado 'fair value' R$ 4,8 milhões. Com a venda, a carteira de crédito total em janeiro ficou em R$ 850 milhões, dos quais quase R$ 500 milhões ainda é provisionamento de perdas. No quarto trimestre, não foram feitas novas provisões.

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