Stone/ Divulgação
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Stone faz mudança societária, mas não convence mercado e ações voltam a cair

Papel fechou em queda de 3% no pregão da bolsa de tecnologia Nasdaq; em 12 meses, a desvalorização acumulada da empresa de ‘maquininhas’ é de 85%

Altamiro Silva Júnior, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2022 | 19h13

A mudança no controle da Stone, anunciada nesta quarta-feira, 1º, foi recebida com cautela por analistas e investidores, que citam dúvidas sobre o real interesse dos controladores no negócio, já que eles vão perder poder na companhia. O BTG Pactual, por exemplo, classificou o anúncio como "negativo" e "estranho", sobretudo por estar sendo implementado em um momento de desafios importantes para a empresa de maquininhas. As ações da companhia caíram 3% no pregão desta quarta. Em 12 meses, despencam 85%.

Na prática, o cofundador Eduardo Pontes, que criou a Stone com André Street e foi seu CEO até 2017, está trocando ações classe B, que dão direito a "supervoto" (com peso dez), por papéis classe A, que só dão direito a um voto cada. Ou seja, Pontes está perdendo o poder de decidir sobre a companhia. Na mudança, que ainda precisa de autorização do Banco Central, a Stone informa que "haverá uma diminuição na concentração de votos de nossos acionistas fundadores".

Assim, nenhum acionista único terá mais de 50% do poder de voto da companhia. Pontes deixou o conselho da Stone em março, e foi substituído por Conrado Engel, banqueiro que foi presidente do HSBC no Brasil e também da financeira Losango.

"Embora admitamos que Pontes não dirige o navio há algum tempo, nos esforçamos para não ver as notícias de hoje de forma negativa", afirmam os analistas do BTG, Eduardo Rosman, Thiago Paúra e Ricardo Buchpiguel. Eles observam que André Street continuará a ser um acionista de referência da empresa, embora esteja entregando parte de seu controle. Em tempos de ações para recuperar a confiança do mercado, a mudança sugere que esse processo pode demorar mais tempo, avalia o BTG.

Vai ou fica?

Já os analistas do Citi, Gabriel Gusan, Karina Salva Martins e Roberta Versiani argumentam que a mudança pode trazer questionamentos sobre se Pontes tem mesmo intenção de permanecer na Stone. O risco é que essas dúvidas acabem virando uma preocupação excessiva. Rumores de venda da companhia não têm faltado no mercado desde o ano passado, com nomes como XP e BTG citados como potenciais compradores da empresa de maquininhas. A Stone, porém, tem negado que haja negociações e que esteja à venda.

À imprensa, a Stone diz que a reorganização é "consequência natural e mecânica" da saída de um dos cofundadores do conselho de administração. Para o CEO da Stone, Thiago Piau, nada muda no dia a dia com essa reorganização e a empresa continua tendo a presença de Street, que segue como presidente do Conselho e acionista de referência. “A companhia vem se esforçando continuamente nos últimos meses para aprimorar a governança e implementar importantes melhorias nos negócios", afirma André Street.

Nesta quinta-feira, 2, a Stone divulga, após o fechamento do mercado, o balanço do primeiro trimestre e as dúvidas sobre as mudanças de controle devem voltar na teleconferência de analistas e investidores.

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