Suez nega discussão sobre participação em Belo Monte

O diretor de Desenvolvimento de Negócios da GDF Suez, Gil Maranhão, negou hoje que haja qualquer negociação no momento para uma eventual participação no consórcio vencedor do leilão de Belo Monte, mas disse que essa possibilidade não está descartada para o futuro. "A maioria dos projetos que disputamos e perdemos num leilão ou mesmo outros que chegamos a avaliar em algum momento já voltou para as minhas mãos de alguma maneira. Somos um grupo grande. Mas isso não quer dizer que haja qualquer negociação agora. Antes do leilão, deixamos claro para o governo que não iríamos participar", disse Maranhão, em entrevista após participar de evento promovido pelo instituto Acende Brasil.

KELLY LIMA, Agencia Estado

27 de abril de 2010 | 14h51

Segundo ele, "não foi um ou outro motivo" que fez o grupo desistir de disputar o leilão. "Foi uma série de fatores que desestimulou o investimento", comentou. Além da tarifa ser aquém do esperado e da complexidade da obra, ele também criticou a "espetacularização" da obra. "Não é só custo ambiental ou o custo social. A partir do momento que movimentos contrários à obra foram para as ruas, ou celebridades internacionais passaram a se posicionar contra a usina, isso afugenta os investidores em geral", argumentou Maranhão, sem querer dar maiores detalhes sobre a desistência da Suez em relação ao leilão. "O perdedor não deve falar nada. Só o ganhador".

A construção de Belo Monte e os riscos implícitos na obra por sua complexidade e por seus impactos socioambientais acabou sendo um dos principais motes do evento promovido pelo Acende Brasil. Para o diretor-superintendente do Consórcio BAESA - Energética Barra Grande S/A, Carlos Alberto Miranda, que participou do debate, há a necessidade de serem coibidos os "excessos". "É preciso limpar os movimentos sociais. Faz parte do nosso negócio arcar com os custos deste impacto, mas é preciso que haja respeito às leis. E se o órgão ambiental pede ao investidor mais coisas do que estava previsto no orçamento, isso vai acabar impactando a tarifa. Ou então só o Estado vai construir hidrelétricas agora, porque pode arcar com custos cinco ou seis vezes mais altos do que o previsto inicialmente", comentou.

Citando especificamente o caso de Belo Monte, Miranda lembrou que o fato de as duas responsáveis pelo projeto da usina terem "pulado fora" na hora do leilão é bastante "sintomático". "Isso reflete o fato de a tarifa não estar condizente", disse.

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