Suíça vai agir e franco cair 14% ante ao euro em 2012, diz Goldman Sachs

Chairman do banco norte-americano aposta também em uma disparada de 30% do dólar frente ao iene

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

22 de dezembro de 2011 | 16h50

NOVA YORK - O chairman do Goldman Sachs Asset Management, Jim O'Neill, tem duas previsões para os mercados de moedas em 2012: uma queda de 14% do franco suíço contra o euro e uma disparada de 30% do dólar frente ao iene. Em entrevista concedida pelo telefone à Agência Dow Jones, O'Neill colocou estas projeções como as favoritas para o ano que vem.

A primeira projeção tem por base previsão de que o banco central da Suíça tomará medidas ainda mais austeras para suavizar o fortalecimento do franco suíço. A segunda leva em consideração perspectiva de uma surpresa na economia norte-americana no ano que vem, a qual puxaria o dólar para acima de 100 ienes do atual nível de 78 ienes.

O'Neill demonstrou menor segurança nas previsões para o euro em relação ao dólar. Ele indicou que o euro poderia recuar em função da crise de dívida soberana da zona do euro, da perspectiva de crescimento na região menor do que a norte-americana e em consequência de novos cortes do juro pelo Banco Central Europeu (BCE). Mas observou que também que o sentimento baixista de modo geral pesa contra a moeda.

"Acredito que o euro, mais provavelmente, será cotado a US$ 1,10, do que a US$ 1,50, mas não tenho certeza se veremos isso", disse O'Neill escolhendo uma margem próxima a US$ 1,30.

Por enquanto, sua aposta mais agressiva está nas projeções para o Banco Nacional da Suíça. Ele prevê que o BC suíço irá elevar o piso que estabeleceu para o euro frente ao franco, alterando-o de 1,20 franco para pelo menos 1,25 franco durante o primeiro trimestre do ano. E não descarta um movimento para 1,35 franco.

Isso representaria continuidade ao histórico movimento que o BC suíço fez no início de setembro, no qual estabeleceu o preço de 1,20 franco como piso para a moeda, a fim de evitar que uma maior apreciação do franco suíço prejudicasse o crescimento da economia do país.

O'Neill prevê que o euro atinja 1,40 franco durante 2012, um nível marcadamente mais alto do que o atual de 1,22 franco. A última vez que o euro foi negociado a 1,40 franco por euro foi em junho de 2010. "O franco ainda está sobrevalorizado", disse O'Neill.

Analista de fortes credenciais no mercado e ex-economista chefe do Goldman, O'Neill é mais conhecido por ter cunhado o termo Bric, em referência as quatro maiores economias emergentes - Brasil, Rússia, Índia e China.

Em entrevista em setembro, seguindo-se ao primeiro anúncio do BC suíço de que compraria montantes ilimitados de euros para estabelecer o piso de 1,20 franco para a moeda europeia, O'Neill classificou a atitude do BC como uma virada de jogo, capaz de domar a alta do franco. Até àquela data, o franco era o porto seguro favorito dos investidores que corriam para fora da zona do euro e da piora da crise. 

Até o momento, a atitude o BC suíço de fato se mostrou bem sucedida. O euro saltou de cerca de 1,12 franco para 1,22 franco no dia 6 de setembro, quando o BC anunciou o piso e desde então opera em margem estreita entre 1,20 franco e 1,25 franco. "Ilimitado é a palavra mágica do BC da Suíça. Esse é o motivo do sucesso", disse O'Neill.

As informações são da Dow Jones.

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