Suíços vão oferecer Hotel Glória no Rio a investidores em Luxemburgo

Fundo quer transformar hotel, vendido por Eike Batista, em ‘referência mundial’ e promete abertura para fim de 2015

Jamil Chade, correspondente de O Estado de S. Paulo, Atualizado às 15h47

03 de fevereiro de 2014 | 09h45

GENEBRA - O fundo suíço que comprou o Hotel Glória no Rio de Janeiro do empresário Eike Batista quer transformar a propriedade carioca num dos "hotéis de maior reputação no mundo e um marco na rede hoteleira internacional". O grupo Acron vai agora oferecer a propriedade a investidores em Luxemburgo e espera que as obras estejam concluídas em 2015.

"Queremos colocar o Glória como um dos hotéis de referência no mundo", declarou em entrevista ao Estado o diretor da Acron em Luxemburgo, Peer Bender. "Não são muitos hotéis no mundo que tem uma história que começa em 1922 e nosso projeto é o de transforma-lo em um marco", disse.

Em um comunicado emitido em Zurique, o grupo Acron confirmou a compra do hotel que era da REX, empresa de empreendimentos imobiliários do grupo EBX, de Eike Batista. O investimento, revelado no fim de semana, deverá girar em torno de R$ 500 milhões, ainda que os suíços não revelem o valor da transação.

O grupo também confirma que está em negociações com empresas que operam redes hoteleiras para que possam gerenciar o Glória. No total, cinco grupos estão sendo consultados, entre eles o Four Seasons. "Há muito interesse", disse Bender, que confessa que desde 2010 vem tentando convencer Eike de vender a propriedade. "Nossos planos são ambiciosos. Os cariocas já sofreram muito com as obras que ainda não foram concluídas", disse. "Não há como terminar para a Copa do Mundo. Mas queremos uma inauguração no final de 2015. Vamos acelerar as obras", disse.

Apesar da compra, Peer Bender negou que o fundo suíço tenha se aproveitado da crise que abala o império de Eike Batista para comprar o hotel. "Foi uma discussão justa", insistiu. "Não usamos a posição da REX para fazer uma negociação desleal", garantiu.

"Estamos muito satisfeitos que nossa companha no Brasil introduziu seu primeiro investimento", declarou Kai Bender, CEO da Acron. "O Hotel Glória é um marco e um hotel com longa tradição no Rio de Janeiro. Ele está perfeitamente adequado a nosso portfolio imobiliário", disse.

"Depois de reabrir o Hotel Glória, ele será um dos líderes e administrados por um grupo hoteleiro interna internacional consolidado", explicou. "Isso oferecerá um potencial de retorno superior a nossos investidores", insistiu. O grupo confirmou ao Estado que está negociando a compra de outras propriedades no Brasil para que sejam oferecidas a investidores no exterior.

Em setembro do ano passado, a Acron AG confirmou publicamente as negociações e informou que concordou em pagar R$ 225 milhões pelo hotel. A REX comprou o Hotel Glória em 2008 e começou uma grande obra de retrofit do edifício, de olho na Copa do Mundo deste ano e na Olimpíada de 2016, reforma orçada em cerca de R$ 300 milhões. Agora, os suíços assumirão o custo da obra.

Investidores. Segundo a Acron, porém, o objetivo do grupo é o de "oferecer a propriedade como um investimento de longo prazo" para "investidores qualificados". O hotel estará registrado em Luxemburgo e o fundo começará a buscar investidores para o projeto nas próximas semanas.

Segundo fontes envolvidas no negócio, não há ainda uma definição se a venda para investidores significará que as ações do hotel serão oferecidas na Bolsa de Valores. Mas essa opção não está descartada.

Em outubro, a AE revelou que o hotel não ficará pronto para a Copal. A Acron, agora, aponta que a abertura do hotel deve ocorrer entre 2015 e 2016, "à tempo para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro".

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