Sul e Sudeste perderam participação no PIB em 2010

Segundo o IBGE, apesar da redução, somente o Estado de São Paulo respondeu por 33,1% da geração de riqueza no País

Daniela Amorim, da Agência Estado,

23 de novembro de 2012 | 11h09

RIO - As regiões Sul e Sudeste perderam participação no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2010. A região Norte ganhou em 0,06 ponto porcentual sua fatia no PIB, seguida por Centro-Oeste (0,05 ponto porcentual) e Nordeste (0,05 ponto porcentual), informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Dessa forma, o montante do Sudeste recuou 1,3 ponto porcentual, enquanto a participação do Sul caiu 0,4 ponto porcentual. No entanto, as contas nacionais regionais mostram que a riqueza ainda é muito concentrada em poucas regiões. Apenas oito Estados responderam 77,8% de todo o PIB nacional. O Estado de São Paulo foi responsável por 33,1% da geração de riqueza.

A desconcentração industrial explica esse desempenho. "Houve uma desconcentração industrial. Algumas indústrias receberam incentivos para se instalar em outras regiões. São Paulo ainda concentra a indústria pesada, mas alguns setores têm recebido incentivos. Goiás, por exemplo, já tem 10% do valor adicionado da indústria automobilística. Tem também Bahia, Paraná", citou Frederico Cunha, gerente da Coordenação de Contas Nacionais Anuais do IBGE.

Entre 2002 e 2010, os Estados do Sudeste que mais perderam participação foram São Paulo, com uma queda de 1,5 ponto porcentual entre, e Rio de Janeiro, com recuo de 0,8 ponto porcentual no período. Em São Paulo, houve queda na participação nas atividades de geração de bens, agropecuária e indústria total. O setor industrial paulista perdeu participação nas quatro atividades: -0,7 ponto porcentual na indústria extrativa, -1,6 ponto porcentual na indústria de transformação, -5,3 ponto porcentual na construção civil e -3,7 ponto porcentual na geração e distribuição de energia elétrica.

Já o Rio de Janeiro reduziu sua fatia no PIB devido às oscilações no preço do petróleo no período. Segundo o IBGE, o estado também tem grande peso da administração pública, que costuma manter-se próxima da estabilidade em épocas de grandes oscilações do PIB.

"Nos estados que têm a administração pública muito pesada, ela tende a amortecer o resultado quando PIB cai ou quando cresce. Porque esses serviços e produtos da administração pública só crescem junto com a população, a menos que você esteja implementando um grande projeto de educação, por exemplo", explicou Cunha.

Nos Estados do Espírito Santo e Minas Gerais, houve ganho de participação no PIB, de 0,4 ponto porcentual e 0,7 ponto porcentual, respectivamente, em relação a 2002. O avanço foi causado pelo aumento do preço do minério, que tem grande importância sobre as economias dessas regiões.

A região Sul também reduziu sua participação no PIB entre 2002 e 2010, de 16,9% para 16,5%, com perdas na agropecuária do Rio Grande do Sul e do Paraná, onde também houve queda de participação na geração e distribuição de energia elétrica.

Em 2010, o PIB do Brasil cresceu 7,5% em relação a 2009. "O ano de 2010 para 18 Estados da federação foi o melhor ano em relação a volume. Apenas a região Centro-Oeste não teve o melhor resultado, porque Distrito federal não teve o melhor resultado", apontou Cunha.

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